Senado dos EUA avança projeto com tarifa de 100% para compradores de energia russa
O Senado dos Estados Unidos avançou um projeto que permitiria impor tarifas de até 100% sobre produtos de grandes compradores de energia russa. A Índia, segunda maior compradora de petróleo bruto russo depois da China, enfrenta riscos para exportações farmacêuticas, têxteis, joalheiras, mecânicas e químicas.
Senado avança proposta de sanções secundárias
O Senado dos Estados Unidos avançou um projeto de lei que permitiria impor tarifas de até 100% sobre mercadorias de países que continuem comprando petróleo, gás ou urânio russos. A medida busca reduzir a receita energética disponível para a Rússia durante a guerra na Ucrânia por meio de sanções secundárias contra seus maiores clientes.
Segundo a Reuters, citada pelo India.com, o Senado aprovou em 28 de julho de 2026, por 86 votos a 12, uma moção de encerramento do debate para avançar o projeto. A proposta ainda não se tornou lei. Ela precisa ser aprovada pela Câmara dos Representantes e assinada pelo presidente Donald Trump para entrar em vigor.
O texto é chamado Lindsey O. Graham Sanctioning Russia and Iran Act e atualiza o Sanctioning Russia Act, S.1241. Versões anteriores mencionavam tarifas de até 500%, mas o limite foi reduzido para 100% na proposta atual, informou o India.com.
Índia fica exposta na energia e nas exportações
A Índia é a segunda maior compradora mundial de petróleo bruto russo, atrás da China. Suas refinarias utilizam suprimentos russos com desconto para atender ao mercado interno e sustentar a segurança energética. Esse volume pode colocar o país entre os cinco maiores clientes da energia russa visados pelo mecanismo norte-americano.
Se o projeto virar lei e o presidente aplicar suas disposições, produtos indianos que entram nos Estados Unidos poderão enfrentar tarifas de até 100%. O India.com apontou produtos farmacêuticos, pedras preciosas e joias, têxteis, bens de engenharia, máquinas e produtos químicos entre os setores mais expostos.
Uma tarifa desse tamanho elevaria fortemente o preço final das mercadorias indianas nos Estados Unidos. Compradores norte-americanos poderiam reduzir pedidos ou buscar fornecedores alternativos, pressionando fabricantes, processadores e exportadores indianos, além dos empregos associados. O impacto comercial das compras de petróleo russo iria, assim, muito além do setor de refino.
Isenções e negociações serão decisivas
A proposta autoriza o presidente dos Estados Unidos a conceder isenções. Seu efeito prático dependerá tanto da aprovação no Congresso quanto das decisões presidenciais sobre países, produtos e operações abrangidos. A possibilidade de exceções mantém espaço para negociações antes da aplicação das tarifas.
O Ministério das Relações Exteriores da Índia acompanha o projeto e mantém conversas com os Estados Unidos, segundo o India.com. Nova Délhi afirma que suas importações de energia refletem o interesse nacional, as condições de mercado e as necessidades de segurança energética. A Índia pode pedir uma isenção enquanto defende o acesso a petróleo bruto com preço competitivo.
O projeto cria incerteza no comércio entre Estados Unidos e Índia, mas nenhuma tarifa adicional entrou em vigor. Os dois países também cooperam em defesa, tecnologia e segurança do Indo-Pacífico. Para as empresas, a prioridade é avaliar riscos: exportadores indianos e importadores norte-americanos precisam se preparar enquanto aguardam as decisões da Câmara e do presidente.