Sementes falsificadas chegam a 15% do mercado russo com cotas zero de importação
Sementes falsificadas e contrabandeadas respondem por pelo menos 15% do mercado russo, quatro pontos percentuais a mais do que há dois anos, e a participação continuou a crescer em 2026, segundo a Zerno Online. O principal fator são as cotas rígidas de importação: as compras em jurisdições classificadas como hostis caíram 18% e seis culturas têm limite zero. A dependência de importação é de 24,2% na beterraba açucareira e menos de 9% na batata.
Sementes falsificadas e contrabandeadas respondem por pelo menos 15% do mercado russo de sementes, quatro pontos percentuais a mais do que há dois anos, e essa participação continuou a crescer em 2026, segundo a Zerno Online. A estimativa foi publicada pelo veículo agrícola Oleoscope.
A reportagem associa a tendência a desequilíbrios estruturais no fornecimento de material de plantio de qualidade às fazendas. A semente falsificada reduz diretamente a produtividade, eleva o custo unitário de produção e ameaça a rentabilidade das propriedades. O prejuízo só aparece ao longo da safra, quando a decisão de plantio já não pode ser revertida.
Cotas de importação alimentam o mercado cinza
O principal motor do comércio ilegal são as cotas rígidas de importação, aponta a reportagem. As entregas vindas de jurisdições classificadas pela Rússia como hostis caíram 18%, e foram fixados limites zero para seis culturas:
- trigo
- soja
- cevada
- girassol
- milho
- canola
Com material legal escasso, os produtores recorrem a fornecedores inidôneos que vendem contrabando sem documentação ou falsificações explícitas. As seis culturas com limite zero concentram a maior parte da lavoura extensiva russa, incluindo as duas principais oleaginosas, de modo que o regime de cotas atinge os maiores blocos de demanda por sementes no país.
Um segundo fator é a forte alta dos preços das sementes legais. Quando o material certificado fica ao mesmo tempo mais escasso e mais caro, amplia-se a diferença de preço a favor do produto não verificado e a demanda migra para fornecedores que não comprovam a origem.
Culturas dependentes de importação são as mais expostas
A procura por semente de origem desconhecida é maior nas culturas com alta dependência de importação. A reportagem cita 24,2% na beterraba açucareira e menos de 9% na batata. São os segmentos em que a atração pelos canais informais é mais forte e em que a falta de oferta se converte mais rapidamente em compras fora do sistema certificado.
A falsificação avança sobre as oleaginosas
Em 2025 foram registrados pela primeira vez sinais de alerta sobre sementes de canola falsificadas. Em fevereiro de 2026, o Instituto Pan-Russo de Pesquisa de Culturas Oleaginosas Pustovoit informou a existência de protocolos de ensaio falsificados para a identificação de híbridos de girassol. Nesse caso falsifica-se a documentação, e não apenas o produto, o que dificulta a verificação no momento da compra para quem se apoia nos papéis para confirmar um híbrido.
Canais de venda e nova capacidade
Na olericultura e no cultivo de melões e melancias, o principal canal do produto ilegal são as plataformas on-line e os marketplaces. Ali os volumes se fragmentam em um grande número de pequenas transações e os vendedores operam sem a cadeia documental exigida no fornecimento por contrato.
No lado legal, a capacidade continua a crescer. Na região de Tambov entrou em operação a fábrica de sementes da Malkom-Agro, com investimento de 300 milhões de rublos.