← Voltar às notícias

Saída sul-coreana da co-combustão de amônia afeta planos de compra do Japão

A Coreia do Sul abandonou os planos de queimar amônia com carvão em usinas elétricas, deixando o Japão como único comprador para esse uso. Segundo o Nikkei, a decisão prejudica os esforços de Tóquio para estabelecer uma estrutura de abastecimento.

Saída sul-coreana da co-combustão de amônia afeta planos de compra do Japão

Coreia do Sul abandona a co-combustão

A Coreia do Sul desistiu do plano de queimar amônia junto com carvão em usinas termelétricas, decisão que afeta diretamente a estratégia japonesa para garantir o fornecimento de amônia. O Nikkei noticiou a mudança no dia 6, segundo a publicação sul-coreana Edaily.

A retirada elimina um dos países que deveriam criar demanda por amônia destinada à geração a carvão. O Japão passa a ser o único comprador que ainda busca essa aplicação, de acordo com a reportagem. Tóquio terá de desenvolver sua estrutura de compras para um mercado com uma base de clientes consideravelmente menor.

Japão perde um potencial mercado vizinho

O Japão havia dedicado esforços relevantes ao seu projeto de aquisição de amônia. A participação sul-coreana forneceria outra fonte de demanda para o mesmo uso: misturar amônia com carvão e queimar a combinação em usinas termelétricas existentes. Depois da decisão de Seul, o Japão não pode mais montar seus planos contando com a demanda paralela do grande vizinho industrial.

O revés é comercial e estratégico. Uma cadeia de suprimento voltada a apenas um mercado nacional tem menos compradores potenciais que um sistema apoiado pelo Japão e pela Coreia do Sul. Fornecedores que avaliam produção ou entregas para usinas a carvão precisarão calcular a demanda sem o programa coreano. Os compradores japoneses também perdem a possibilidade de se apoiar em volumes regionais.

Mercado de amônia para carvão fica menor

A decisão não abrange todos os usos da amônia. Seu efeito imediato recai sobre o produto destinado à co-combustão em usinas a carvão. Essa diferença é importante para produtores, comerciantes e investidores: a saída sul-coreana elimina a demanda esperada de uma rota específica de geração, enquanto o Japão permanece como único comprador nesse segmento.

A condição de comprador único também concentra o risco comercial. Os acordos de fornecimento propostos dependerão mais da demanda japonesa, da continuidade das políticas e da execução dos projetos. Os vendedores terão menos canais potenciais de comercialização. Para os compradores japoneses, será mais difícil construir um sistema amplo de compras apoiado por uma demanda regional compartilhada.

Premissas de compra precisam ser revistas

O Nikkei classificou a decisão coreana como um golpe direto nos planos japoneses. O problema não se resume à perda de um projeto ou de uma usina. A retirada da Coreia do Sul muda a estrutura esperada do mercado, pois deixa apenas um país comprando amônia para co-combustão com carvão.

Planejadores japoneses e potenciais fornecedores terão de rever suas premissas sobre o tamanho e a diversidade da demanda. O comércio ainda pode se desenvolver em torno do consumo japonês, mas não terá mais a base de dois países prevista quando a Coreia do Sul mantinha seu plano. Até surgir outro comprador, o Japão terá de estabelecer sozinho esse segmento do mercado de amônia.

Utilizamos cookies para melhorar sua experiência de navegação, fornecer conteúdo personalizado e analisar nosso tráfego. Ao clicar em "Aceitar tudo", você consente com o uso de cookies. Você pode gerenciar suas preferências ou saber mais em nossa Política de privacidade.