Safra grega de uva volta ao nível normal e setor pede fiscalização mais rigorosa
A produção grega de uva deve crescer em 2026 após várias safras excepcionalmente baixas, mas as entidades do setor classificam o avanço como retorno à normalidade, não como excesso de oferta. A qualidade é considerada excelente, enquanto produtores temem pressão sobre os preços e cobram maior controle do mercado de vinho.
Safra se recupera após vários anos fracos
A safra grega de uva de 2026 está voltando aos níveis normais de produção após vários anos de rendimentos excepcionalmente baixos, segundo as principais organizações vitivinícolas do país. A Organização Nacional Interprofissional da Vinha e do Vinho, EDOAO, informou que os dados disponíveis das regiões produtoras mostram aumento em relação às safras recentes. A entidade ressaltou, porém, que o movimento representa apenas uma recuperação parcial para volumes normais e não deve ser tratado como superprodução.
A KEOSOE, representante das cooperativas vinícolas gregas, apresentou avaliação semelhante após uma reunião extraordinária sobre a situação da viticultura. A entidade espera que a produção nas principais zonas vitivinícolas supere a dos anos anteriores, mas permaneça dentro da normalidade. As duas organizações alertaram que alegações de excesso de oferta podem ser usadas para pressionar os preços pagos aos produtores, embora a comparação seja feita com safras excepcionalmente pequenas.
Danos climáticos criam diferenças regionais
A recuperação nacional é desigual. Geadas e granizo reduziram os rendimentos em várias áreas, e a KEOSOE citou Nemeia, Mantineia e Heraclião entre as zonas atingidas. A Tessália também sofreu danos, embora em menor grau. Por isso, vinícolas e cooperativas podem enfrentar condições distintas de abastecimento conforme a variedade e a região de compra, apesar da melhora geral da safra nacional.
As perspectivas de qualidade são positivas de forma mais consistente. A EDOAO afirmou que as uvas avaliadas até agora têm excelente qualidade e atribuiu ao manejo dos produtores as condições favoráveis para o novo ciclo do vinho. A KEOSOE também prevê qualidade excelente. Para as vinícolas, o cenário melhora a oferta de matéria-prima, mas o resultado comercial ainda dependerá dos preços da uva e da capacidade dos produtores de cobrir custos de cultivo que continuam elevados.
Produtores resistem à pressão sobre os preços
Nenhuma das organizações apresentou uma previsão nacional de produção ou um preço de referência para a uva. A mensagem central é que o aumento em relação às safras fracas dos últimos anos não justifica preços menores de compra. As cooperativas afirmaram que pretendem apoiar seus associados e buscar níveis de preço que mantenham as propriedades economicamente viáveis.
O alerta reflete a pressão contínua sobre as finanças rurais. Segundo a EDOAO, os custos de cultivo permanecem altos e a viabilidade de muitas propriedades está sendo testada. Se o preço da uva não cobrir esses custos, os produtores poderão ter dificuldades para continuar a atividade mesmo em um ano de melhores rendimentos e qualidade. As entidades consideram, portanto, o apoio ao viticultor uma condição para preservar os vinhedos gregos, e não uma resposta a um excedente excepcional.
Setor cobra controles de origem e rastreabilidade
A fiscalização do mercado de vinho é a outra grande preocupação. A KEOSOE afirmou que a distribuição ilegal pode representar até 60% do mercado nos grandes centros urbanos de consumo. A organização também relatou casos nas ilhas gregas em que vinhos de outras origens são comercializados como produtos locais, além de vinho importado vendido como grego a preços especialmente baixos.
A EDOAO pediu controles mais intensos em todo o país, sobretudo nas áreas turísticas durante o verão. A entidade quer que as inspeções verifiquem origem, rotulagem e rastreabilidade, além da conformidade tributária. A KEOSOE argumentou que numerosas equipes da Autoridade Independente de Receita Pública da Grécia atuam em destinos turísticos, mas não realizam as verificações básicas de origem exigidas pela legislação vigente.
Para produtores, cooperativas e vinícolas que cumprem as regras, a rastreabilidade deficiente significa concorrência desleal de preços e menor confiança nas declarações de origem grega. Com a colheita em andamento ou próxima em várias regiões, o setor pressiona as autoridades para aplicar as normas existentes antes que a safra maior chegue ao mercado de vinho.