Safra francesa de trigo mole de 2026 é estimada em 30,8 milhões de toneladas
A Argus Media estima a safra francesa de trigo mole de 2026 em 30,8 milhões de toneladas, ante a primeira projeção oficial de 32 milhões. O aumento da área não compensou as perdas de produtividade causadas pelo clima, embora o tempo seco e quente tenha favorecido a qualidade.
Estimativa da Argus fica abaixo da projeção oficial
A França deve ter colhido 30,8 milhões de toneladas de trigo mole em 2026, segundo estimativa do grupo de informações sobre commodities Argus Media. O volume fica 1,2 milhão de toneladas abaixo da primeira projeção oficial do Ministério da Agricultura francês, de 32 milhões de toneladas, e confirma que a safra ficou aquém das expectativas após uma sequência de eventos climáticos adversos.
A Argus concluiu sua estimativa depois de uma pesquisa de campo realizada entre 13 e 17 de julho, quando a colheita já havia terminado. Alexandre Willekens, analista do mercado de grãos da Argus Media, afirmou que a produção voltou a decepcionar depois de uma safra dentro da média em 2025. O grupo calcula uma queda anual de 2,55 milhões de toneladas, ou 7,6%.
A projeção do ministério, publicada na quinta-feira anterior, já indicava uma safra menor. A estimativa de 32 milhões de toneladas representava queda de 4% em relação a 2025, tendo como uma das principais causas as sucessivas ondas de calor desde maio. A diferença entre as duas avaliações revela a dimensão das perdas de produtividade identificadas após a colheita.
Expansão da área não compensa menor produtividade
Os produtores franceses ampliaram em 3% a área de trigo mole, para 4,6 milhões de hectares, um dos poucos indicadores positivos da temporada. Ainda assim, a Argus informou que essa foi a quarta menor área registrada em mais de 20 anos. O grupo relacionou a contração de longo prazo do plantio à menor rentabilidade da cultura e a mudanças regulatórias.
A área adicional não foi suficiente para compensar o desempenho mais fraco das lavouras. A Argus estima a produtividade média nacional em 6,67 toneladas por hectare, 6,5% abaixo da média dos 10 anos anteriores. A combinação de uma área ainda relativamente limitada com produtividade inferior à média levou a produção para baixo das expectativas anteriores à colheita e da primeira estimativa do governo.
A pressão climática ocorreu em diferentes etapas. O oeste da França foi atingido por chuvas excessivas durante o inverno, seguidas por uma primavera excepcionalmente seca. Depois, a persistente falta de água e vários períodos de calor intenso afetaram todo o país durante a floração e o enchimento dos grãos, duas fases decisivas para a produtividade do trigo.
Qualidade oferece suporte diante da menor oferta
As mesmas condições secas e quentes que reduziram a produtividade também trouxeram uma vantagem: favoreceram a qualidade da safra, segundo a Argus. Isso pode ajudar processadores e exportadores que procuram trigo com requisitos específicos de moagem, embora o volume disponível seja menor que o esperado. As fontes não apresentaram resultados detalhados de proteína, peso específico ou qualidade para exportação.
Para o setor francês de grãos, a estimativa de 30,8 milhões de toneladas prolonga a tendência de queda observada pela Argus desde 2016. A França é um importante fornecedor de trigo da União Europeia, o que torna o tamanho e a qualidade da safra relevantes para moinhos domésticos, fabricantes de ração e compradores internacionais. A menor produção limita o volume disponível entre esses canais, enquanto a qualidade pode definir quais usuários terão prioridade nos fluxos comerciais.
O equilíbrio imediato do mercado dependerá da parcela da colheita que atender às especificações de moagem e exportação, além da demanda dos diferentes consumidores domésticos. A avaliação de campo da Argus após a colheita fornece uma referência de oferta mais conservadora que a primeira previsão ministerial. Novas revisões oficiais e dados detalhados de qualidade serão, portanto, importantes para produtores, comerciantes, processadores e compradores avaliarem a oferta francesa disponível nesta temporada.