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Safra de café geisha do Panamá cai antes do leilão de setembro

O Panamá colheu cerca de 50% do volume habitual de cafés especiais após chuvas intensas, seca e temperaturas extremas. A produção de geisha caiu pelo menos 30%, restringindo a oferta antes do leilão Best of Panama de setembro.

Safra de café geisha do Panamá cai antes do leilão de setembro

Clima reduz a safra panamenha de cafés especiais

O exclusivo café geisha do Panamá chegará à temporada de leilões de 2026 com disponibilidade consideravelmente menor. Chuvas intensas, seca e temperaturas extremas prejudicaram a safra. Segundo o Libertad Digital, os produtores esperam nova pressão sobre o preço de um café que já é considerado o mais caro do mundo.

Ricardo Koyner, presidente da Associação de Cafés Especiais do Panamá, afirmou que o país obteve apenas cerca de 50% da produção habitual de cafés especiais. A temporada sofreu primeiro com chuvas muito fortes e, depois, com uma seca intensa. Graciano Cruz Landero, produtor de geisha e proprietário da fazenda Los Lajones Bambú, estima que a produção dessa variedade tenha caído pelo menos 30% devido ao clima.

As estimativas abrangem segmentos diferentes da safra e, portanto, não formam um único índice de perda para todo o café panamenho. As duas, porém, indicam forte contração dos lotes premium que sustentam a reputação internacional do país.

Uma safra pequena para um mercado de alto valor

O Panamá continua sendo um pequeno produtor em escala mundial. Na temporada 2024-2025, produziu aproximadamente 7,7 milhões de quilogramas de café, 3,2% menos que no ano anterior. Quase dois terços do volume vêm da província de Chiriquí, principal região de cultivo do célebre geisha.

A diferença de preço entre o geisha e o arábica convencional mostra que se trata de um mercado especializado de luxo, e não de um substituto para o café de massa. De acordo com dados da Efeagro citados pelo Libertad Digital, um lote de apenas 20 quilogramas de geisha alcançou o recorde de € 26.300 por quilograma no leilão Best of Panama de 2025. A empresa Julith Coffee, de Dubai, comprou o lote. No mesmo ano, o arábica convencional custou cerca de € 7,40 por quilograma, segundo estimativas do Banco Mundial reproduzidas pela publicação.

O preço recorde de um único lote não representa toda a produção panamenha de geisha, pois os resultados do leilão refletem qualidade excepcional, escassez e concorrência entre compradores especializados. Ainda assim, uma safra menor fará torrefadores e comerciantes disputarem menos quilogramas dos cafés mais bem avaliados.

Produtores esperam mais qualidade apesar do menor volume

Os cafeicultores afirmam que as condições desfavoráveis podem ter gerado um benefício para a qualidade. Com menos frutos em cada planta, os açúcares podem se concentrar melhor e os perfis aromáticos ganhar complexidade. Cruz Landero disse que as altas temperaturas durante o dia e as noites frias retardaram a maturação, o que pode resultar em um café mais doce e com sabores mais intensos.

Wilford Lamastus, da Lamastus Family Estate, também avalia que a safra reduzida permitiu dedicar mais atenção a cada lote. Ele prevê que as notas de qualidade possam superar as da edição anterior. As provas nacionais e internacionais terão de confirmar essa expectativa.

Leilão de setembro testará a demanda

A XXX edição do Best of Panama começou com 102 lotes de 47 produtores. Uma primeira prova nacional selecionará os melhores cafés de cada categoria. Em seguida, mais de 100 especialistas internacionais avaliarão os finalistas antes de os lotes escolhidos chegarem ao leilão eletrônico de setembro.

A disputa mostrará como os compradores avaliam a combinação de oferta menor e expectativa de qualidade superior. Um novo recorde é possível, mas as informações disponíveis não permitem projetar o preço. Para fazendas, comerciantes especializados e torrefadores premium, a certeza imediata é que haverá muito menos café especial panamenho disponível nesta temporada.

Análise completa do mercado

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