Safra espanhola de arroz de 2026 perde até 40% em Valência
Os primeiros resultados da colheita apontam para uma queda de 10% a 15% na Andaluzia e de 30% a 40% em algumas áreas de Valência. O calor durante a floração, fungos e pragas reduziram a produtividade, enquanto o arroz de 2025 ainda armazenado pressiona o mercado andaluz.
Avanço da colheita revela perdas regionais
A safra espanhola de arroz de 2026 entra em sua fase decisiva com perdas expressivas de produtividade entre as regiões, segundo a Revista Campo. As primeiras áreas colhidas na Andaluzia indicam uma produção aproximadamente 10% a 15% inferior à da temporada anterior, enquanto produtores de Valência estimam quedas de 30% a 40% em algumas localidades.
Os números ainda são preliminares, sobretudo na Andaluzia, onde as colheitadeiras começaram a entrar nas primeiras lavouras. Álvaro Pallarés, agricultor e diretor-executivo da Doñarroz, informou que a colheita da variedade Puntal começou na quinta-feira passada. A etapa principal da campanha regional começa nesta semana, e será preciso colher mais áreas para confirmar a estimativa inicial.
A colheita está bem mais adiantada em Valência. O produtor Nando Durá afirmou que alguns agricultores terminarão nesta semana e outros, na próxima. Sua projeção atual de queda de 30% a 40% na produção é consideravelmente pior que a perda de aproximadamente 20% prevista no início da campanha.
Calor durante a floração agrava danos de pragas
Os produtores relacionam as perdas principalmente ao clima adverso durante a floração e aos problemas fitossanitários. Em Valência, as temperaturas noturnas chegaram a 27-28 graus Celsius nessa fase. Segundo Durá, o calor prejudicou a floração e impediu que parte das plantas completasse corretamente seu ciclo, reduzindo diretamente a produtividade potencial.
Doenças fúngicas e insetos ampliaram os danos. Durá também relatou o retorno de uma lagarta que havia passado vários anos sem causar problemas relevantes na região. A combinação de noites quentes, fungos e pragas explica por que a projeção de perdas em Valência piorou ao longo da temporada.
A Andaluzia também sofreu com temperaturas excepcionalmente altas, embora a redução preliminar seja menor. Pallarés estima atualmente uma queda de 10% a 15% em relação à campanha anterior. Os próximos dias serão importantes, pois o aumento do volume colhido mostrará se esse intervalo representa toda a região.
Produção menor não garante preços mais altos
A safra reduzida chega ao mercado em meio à preocupação persistente com os preços pagos ao produtor. Durá classificou como muito baixas as ofertas recebidas pelos rizicultores de Valência. A região não enfrenta atualmente um problema relevante de estoques remanescentes, mas os produtores andaluzes iniciam a nova colheita ainda com uma parcela significativa do arroz de 2025 armazenada.
Pallarés já havia alertado em junho que grande parte da safra anterior permanecia nos armazéns devido à dificuldade de encontrar canais de venda. Segundo a Revista Campo, a situação pouco mudou. A entrada do arroz novo pode, portanto, aumentar a pressão sobre um mercado já afetado por estoques não vendidos, apesar da queda da produção atual.
Os produtores da Andaluzia acompanham informações sobre uma possível redução das importações europeias de arroz de Myanmar e do Camboja. Pallarés espera que uma entrada menor do produto, caso se confirme, alivie os mercados espanhol e europeu. Para os agricultores, a questão imediata é se a menor oferta doméstica e uma eventual mudança nas importações elevarão as cotações o suficiente para cobrir custos de produção que, segundo Pallarés, aumentaram fortemente.