Vendas de álcool na Rússia caem 2% enquanto cerveja recua e sidra cresce
As vendas de álcool no varejo russo caíram 2% em termos anuais, para 613,5 milhões de decalitros, entre janeiro e agosto de 2026, segundo dados da Rosalkogoltabakkontrol publicados pela Logistics.ru. Cerveja, bebidas à base de cerveja, vinho tranquilo e conhaque recuaram, enquanto a sidra cresceu 25,1% e os destilados 11%.
As maiores categorias perdem volume
As vendas de álcool no varejo russo caíram 2% em relação ao ano anterior entre janeiro e agosto de 2026, mas o número agregado esconde diferenças bem maiores entre as categorias. Segundo dados da Rosalkogoltabakkontrol publicados pela Logistics.ru, o varejo vendeu 613,5 milhões de decalitros de bebidas alcoólicas no período de oito meses. Em agosto, as vendas recuaram 2,1%, para 85,7 milhões de decalitros.
As bebidas fermentadas perderam 2,4%, ficando em 481,8 milhões de decalitros. A cerveja, maior categoria do mercado em volume, caiu 2,6%, para 408,9 milhões de decalitros, enquanto as bebidas à base de cerveja recuaram 4,1%, para 63,5 milhões. As vendas de vinho tranquilo diminuíram 2,7% e as de conhaque, 2,4%. Assim, a contração total é determinada por perdas moderadas nas categorias de grande volume.
A sidra avança rapidamente a partir de uma base pequena
Algumas categorias seguiram na direção oposta. Os destilados cresceram 11%, o vinho espumante 4,3% e o hidromel 8,7%. Entre as bebidas fermentadas em alta, a sidra registrou a expansão sustentada mais forte: 25,1%, para 7,25 milhões de decalitros. O hidromel chegou a 2,1 milhões de decalitros no mesmo período, e suas vendas em agosto aumentaram 19,3% em termos anuais.
As taxas elevadas não eliminam a grande diferença de escala. A cerveja superou 408 milhões de decalitros nos oito meses, deixando a sidra muitas vezes menor e o hidromel menor ainda. Daniil Briman, presidente da União dos Cervejeiros Russos e diretor-geral da Suzdalsky Pivovar, atribuiu parte do rápido crescimento percentual da sidra e do hidromel à baixa base de comparação. Segundo ele, o hidromel continua sendo uma bebida exótica para muitos consumidores russos.
Não há crescimento generalizado das bebidas fermentadas
Os dados não indicam uma migração ampla para todas as bebidas leves ou fermentadas. Os produtos alcoólicos de frutas caíram 35,2%, os de baixo teor alcoólico recuaram 57,5% e o perry também apresentou queda. O desempenho da sidra reflete, portanto, a procura por uma categoria específica, e não uma expansão geral do segmento de fermentados.
Igor Khavsky, coproprietário da distribuidora SVAM Group e da cervejaria Gletcher, relacionou a procura por sidra e hidromel ao interesse dos consumidores por bebidas alcoólicas com sabores. Ele também afirmou que uma presença maior no varejo pode gerar altas percentuais expressivas em categorias pequenas. Na sua avaliação, o salto do hidromel em agosto pode ter sido pontual, por exemplo devido à entrada de um produtor em uma grande rede. Em oito meses, o avanço de 25,1% da sidra parece mais consistente que a alta de 8,7% do hidromel.
Preços e canais de venda aumentam a pressão
Participantes do mercado associam parte da queda da cerveja ao aumento dos preços. Khavsky citou a maior carga fiscal, a elevação do imposto especial e os custos de implantação de sistemas de informação. Briman também apontou os impostos e a inflação, estimando que uma alta de apenas 5–10 rublos por unidade já pode reduzir as vendas. Os dados disponíveis, porém, não demonstram uma migração direta dos consumidores de cerveja para sidra ou hidromel.
Os canais de venda também apresentam trajetórias diferentes. Os restaurantes russos reduziram as vendas de álcool em 42,4%, para 818.300 decalitros, no primeiro semestre de 2026. Khavsky associou a queda à menor frequência nos estabelecimentos e à redução do gasto médio com álcool. Para produtores e distribuidores, o recuo nacional de 2% tem utilidade limitada isoladamente: o planejamento depende cada vez mais da categoria, da presença no varejo e da exposição ao canal HoReCa.