Rússia reduz em 34% importações de cerveja de países fora da UEE no primeiro semestre
A Rússia importou 61,7 milhões de litros de cerveja de países fora da UEE no primeiro semestre de 2026, uma queda anual de 34%. Os fornecimentos dos membros do bloco dobraram, enquanto os produtos russos mantiveram 95,4% das vendas.
Remessas de fora da UEE recuam
A Rússia importou 61,7 milhões de litros de cerveja de países que não integram a União Econômica Eurasiática no primeiro semestre de 2026, volume 34% inferior ao do mesmo período do ano anterior. Os dados são do Centro para o Desenvolvimento de Tecnologias Avançadas, operador do sistema russo de rotulagem Chestny Znak, e foram divulgados pela RIA Novosti.
Vários veículos russos descreveram os fornecedores afetados como países considerados “hostis” por Moscou. Os dados originais citados pela RIA Novosti, porém, usam a categoria mais ampla de países que não pertencem à UEE. Os dois grupos não são necessariamente iguais, uma diferença relevante para avaliar mudanças nas origens das compras e no acesso ao mercado.
A redução aponta para uma nova alteração na composição da cerveja importada pela Rússia. Produtores e distribuidores externos ao bloco regional disputam agora um volume menor, enquanto as marcas nacionais já respondem por quase todas as vendas.
Fornecedores da UEE ampliam sua posição
As importações de cerveja dos países membros da UEE dobraram nos mesmos seis meses, segundo os dados citados pela RIA Novosti. Não foram informados os volumes absolutos nem a divisão por país, o que impede calcular a participação dessas remessas na oferta total.
As tendências opostas indicam que fornecedores do bloco estão compensando parte da redução das entregas externas. Para cervejarias e operadores comerciais, isso muda o equilíbrio competitivo do segmento importado: produtos originários da UEE ganham presença enquanto os embarques de fora da união encolhem.
A produção doméstica continua sendo a principal fonte da cerveja vendida na Rússia. As bebidas fabricadas localmente representaram 95,4% de todas as vendas, deixando as importações em uma faixa relativamente estreita do mercado. Mesmo a duplicação dos fornecimentos da UEE não altera o papel central das cervejarias russas, embora possa afetar de maneira significativa importadores, distribuidores e categorias premium ou especializadas.
Demanda favorece cerveja de teor alcoólico intermediário
Os dados do semestre também mostram diferenças entre as faixas de teor alcoólico. A cerveja com graduação de 0,5% a 3% registrou a maior queda. As vendas diminuíram 17% em litros e 12% em valor expresso em rublos.
A retração menor da receita em comparação com o volume sugere que o valor médio das vendas nesse segmento não caiu tão rapidamente quanto a demanda física. Os dados disponíveis não permitem identificar se essa diferença veio de preços, do mix de produtos ou de outros fatores.
A cerveja com teor alcoólico de 3% a 6% apresentou o crescimento mais estável. Para as cervejarias russas e os fornecedores estrangeiros que permanecem no país, o desempenho oferece um sinal de demanda mais claro do que o segmento de baixa graduação, sobretudo em um mercado no qual os produtos nacionais controlam 95,4% das vendas.
Os números mais recentes sucedem um ano difícil para o mercado. Maxim Chernigovsky, professor associado da Academia Presidencial em São Petersburgo, afirmou que as vendas russas no varejo de cerveja e bebidas à base de cerveja caíram 16% em 2025, enquanto a produção recuou apenas 1%. Segundo ele, possíveis estoques excedentes mantidos por alguns produtores ou distribuidores não levariam ao barateamento da bebida. A combinação de varejo em retração, produção relativamente estável e novas origens de importação aumenta a importância da gestão de estoques e do posicionamento dos produtos.