Rússia descarta novo apoio estatal às exportações de carvão pelos portos do noroeste e do sul
Uma carta do vice-primeiro-ministro Vitali Saveliev ao presidente Vladimir Putin conclui que não é necessário apoio adicional às exportações de carvão pelos congestionados portos do noroeste e do sul da Rússia, informa a Lenta.ru citando o Kommersant. Os setores portuário e carbonífero discordam e apontam um aumento das tarifas ferroviárias de 2,25 vezes e a queda dos preços: o carvão de coque no Extremo Oriente caiu 6,2 por cento na última semana de junho.
Governo não vê motivos para ajudar a exportação de carvão
Não há necessidade de apoio adicional às exportações de carvão pelos portos do noroeste e do sul da Rússia, ainda mais porque essas rotas já estão sobrecarregadas com cargas de uso especial e transporte de passageiros. Segundo a Lenta.ru, citando o Kommersant, essa conclusão consta de uma carta do vice-primeiro-ministro Vitali Saveliev ao presidente Vladimir Putin. O funcionário escreveu que a capacidade livre de movimentação nesses portos está praticamente esgotada.
A carta observa ainda que a União Europeia e o Reino Unido já não compram carvão russo por causa das sanções, o que obriga a desviar os embarques para a Ásia. A logística de longa distância que essa reorientação exige torna o carvão russo pouco competitivo no mercado mundial. Mesmo assim, o governo considera que a situação exportadora das empresas de mineração se estabilizou e, portanto, não vê motivos para nova ajuda.
Portos e mineradoras discordam
Fontes dos setores portuário e carbonífero ouvidas pelo Kommersant afirmam que a necessidade de apoio à exportação persiste. O Porto Comercial Marítimo de Murmansk (MMTP) associa diretamente a queda do carregamento nos portos da bacia do Ártico a um aumento das tarifas ferroviárias de 2,25 vezes em 2026, elevação que descreveu como superior a qualquer previsão imaginável. Uma fonte do setor carbonífero está convicta de que um desconto de 25 por cento nas tarifas das Ferrovias Russas (RZD) permitiria aumentar o carregamento nas regiões de Leningrado e Murmansk em 20 por cento.
Nem todos concordam que um corte de tarifas seja viável. Maxim Chapochnikov, assessor do gestor do fundo "Código Industrial", afirmou não ver como resolver o problema da exportação de carvão por meio de subsídios às tarifas ferroviárias, pois elas já estão em um nível mínimo. Em sua opinião, tal medida só levaria à perda de volumes de transporte de outras cargas.
Preços já em queda
Os dados de preços reforçam a pressão sobre os exportadores. Na última semana de junho, o preço do carvão de coque nos portos do Extremo Oriente caiu 6,2 por cento, ou 10 dólares, a maior queda semanal desde o início do ano. No mesmo período:
- os preços do carvão de coque nos portos do mar de Azov e do mar Negro recuaram 2,7 por cento.
- os preços do carvão de coque nos portos do Báltico caíram 3,6 por cento.
Para os importadores da Ásia, a reorientação dos volumes russos para o leste mantém a oferta disponível, mas os altos custos logísticos por trás dessas cargas limitam até onde os vendedores russos podem conceder descontos. Para os exportadores russos, a combinação de portos do oeste e do sul congestionados, tarifas ferroviárias mais altas e preços de referência em queda deixa pouca margem para defender os lucros, e o Estado optou agora por não fechar essa lacuna com apoio público.