Rússia define novas regras de composição da cerveja a partir de 2027
A nova norma russa exigirá, a partir de 1º de janeiro de 2027, pelo menos 80% de malte na cerveja e limitará os ingredientes não maltados a 20%. O texto também permitirá maltes de centeio, trigo-sarraceno, aveia e milheto e distinguirá cerveja de bebida à base de cerveja.
Novos limites de composição
A Rússia adotará em 1º de janeiro de 2027 uma nova norma nacional para definir quais produtos podem ser comercializados como cerveja. A GOST R 72295-2025, “Cerveja. Condições técnicas gerais”, foi aprovada pela Rosstandart, agência russa de normalização, e substituirá a norma nacional em vigor desde 2012. As exigências também abrangerão a cerveja sem álcool.
Igor Igoshin, primeiro vice-presidente do Comitê de Proteção da Concorrência da Duma Estatal, disse à TASS que o malte deverá representar pelo menos 80% do produto. Os ingredientes não maltados ficarão limitados a 20%, enquanto os produtos açucarados dentro dessa categoria não poderão superar 2%. A adição de álcool será proibida, de modo que os produtos classificados como cerveja deverão obter seu álcool exclusivamente por fermentação natural.
Mais tipos de malte serão permitidos
A norma amplia a base de matérias-primas reconhecidas e autoriza expressamente maltes de centeio, trigo-sarraceno, aveia e milheto, além do malte cervejeiro convencional. Segundo Igoshin, as cervejarias ganharão mais espaço para desenvolver variedades e oferecer uma seleção maior. Receitas feitas com cereais alternativos poderão manter a denominação de cerveja desde que atendam aos limites de composição.
A ampliação da lista poderá influenciar as compras e o desenvolvimento de produtos em toda a cadeia cervejeira. Antes da entrada em vigor, as fábricas que pretendam usar as novas matérias-primas terão de ajustar receitas, especificações e controles de fornecedores. Maltarias e fornecedores de grãos poderão encontrar oportunidades nos segmentos menores de centeio, trigo-sarraceno, aveia e milheto, embora a fonte não apresente projeções de produção, preços ou demanda.
Fronteira entre cerveja e bebida à base de cerveja
O produto que não atender aos novos parâmetros será classificado como bebida à base de cerveja e não poderá ser rotulado como cerveja, afirmou Igoshin. A conferência de receitas e rótulos terá, portanto, efeito comercial direto: itens próximos dos limites de ingredientes não maltados ou açucarados poderão exigir reformulação ou mudança de categoria. Os fabricantes também precisarão revisar embalagens e documentos até 1º de janeiro de 2027.
As bebidas à base de cerveja já seguem uma norma interestatal separada, em vigor na Rússia desde julho de 2026, que reduziu as exigências de altura e estabilidade da espuma. Segundo a Krestyanskie Vedomosti, essas bebidas devem conter pelo menos 40% de cerveja, ou usar mosto feito com malte cervejeiro equivalente a no mínimo 40% da massa das matérias-primas. Também podem incorporar frutas, vegetais, plantas, especiarias e ingredientes aromáticos não autorizados na produção de cerveja.
Adaptação da indústria
O período até 2027 permitirá às cervejarias auditar seus portfólios e decidir quais produtos continuarão como cerveja, serão reformulados ou migrarão para a categoria de bebidas cervejeiras. As principais tarefas incluem comprovar a participação do malte, medir insumos não maltados e açucarados, documentar a fermentação natural e atualizar rótulos. Cervejarias contratadas e empresas com receitas complexas também poderão exigir dados mais detalhados dos fornecedores.
Separadamente, esperava-se para 2026 a aprovação de uma norma para a denominação “cerveja russa”, conforme informação anterior citada pela Krestyanskie Vedomosti. Pela definição proposta, a produção teria de ocorrer na Rússia, o fabricante precisaria estar registrado no país e a marca deveria pertencer a pessoas russas. A iniciativa é distinta da GOST R 72295-2025, que define a cerveja por sua composição e método de produção.