Rússia avalia elevar para 5 euros por litro a tarifa sobre cerveja de países “hostis”
A Rússia avalia elevar de 1,5 para 5 euros por litro a tarifa sobre cerveja de países considerados “hostis” em seus planos fiscais para 2027–2029. A proposta surge após a queda das importações diretas e o forte aumento das exportações europeias para Belarus, Armênia e Quirguistão.
Tarifa pode mais que triplicar
O governo russo avalia aumentar as tarifas de importação sobre destilados, cerveja e bebidas à base de cerveja originárias de países oficialmente classificados como “hostis”. Segundo o Fontanka, a proposta consta de um anexo às diretrizes de política orçamentária, tributária e aduaneira para 2027–2029, apresentadas à Duma Estatal como parte do pacote orçamentário.
A cerveja enfrentaria o maior aumento. A tarifa especial poderia subir de 1,5 para 5 euros por litro, enquanto os impostos especiais sobre álcool e tabaco devem ser reajustados em 6,5% em 2027. A cerveja importada também paga imposto sobre valor agregado e incorpora despesas do importador e margens comerciais, ampliando o efeito da tarifa ao longo da cadeia. O documento governamental citado pelo Fontanka não apresenta uma estimativa da receita orçamentária adicional.
A Rússia criou em abril de 2024 uma tarifa especial de 0,1 euro por litro para cerveja de malte proveniente de países hostis. No fim daquele ano, a alíquota subiu para 1 euro e, em setembro de 2025, para 1,5 euro. A taxa atual foi prorrogada até o fim de 2027. Uma elevação para 5 euros representaria mais de três vezes o nível vigente e 50 vezes a taxa inicial.
Importações diretas recuaram
Dados da ONU citados pelo Fontanka mostram que a Rússia importou 357,9 mil toneladas de cerveja, no valor de 276,8 milhões de dólares, em 2019. A Alemanha forneceu 132,1 mil toneladas, seguida por Belarus, com 50,8 mil toneladas, e República Tcheca, com 39,2 mil toneladas. Em 2024, o volume total havia diminuído quase 15%, para 305 mil toneladas, embora o valor tenha aumentado 7%, para 296,2 milhões de dólares. A Alemanha permaneceu na liderança com 121,8 mil toneladas, à frente da República Tcheca, com 39,5 mil toneladas, e da China, com 33,9 mil toneladas.
A queda se acelerou em 2025, quando as importações russas diminuíram mais da metade, para 126,3 mil toneladas e 145,7 milhões de dólares. A China tornou-se a maior fornecedora, com 46,6 mil toneladas. O Cazaquistão enviou quase 16 mil toneladas e a República Tcheca, 15,9 mil toneladas, enquanto os embarques alemães caíram dez vezes, para 12,1 mil toneladas. Lituânia e Letônia forneceram 6,76 mil e 6,73 mil toneladas, respectivamente.
Rotas comerciais regionais ganham importância
Ao mesmo tempo, as exportações de cerveja da União Europeia para vários parceiros comerciais importantes da Rússia cresceram rapidamente. Dados do Eurostat citados pelo Fontanka mostram que os embarques para Belarus quase sextuplicaram em 2025, de 14,5 milhões para 84 milhões de euros. As exportações polonesas para o país subiram de 1,9 milhão para 28,4 milhões de euros, as alemãs alcançaram 16 milhões de euros e as letãs passaram de 80 mil para 16,6 milhões de euros. As vendas da UE para a Armênia cresceram de 3,5 milhões para 9,2 milhões de euros, enquanto as destinadas ao Quirguistão avançaram de 2,2 milhões para 7,8 milhões de euros.
Esses fluxos não podem ser classificados automaticamente como reexportações para a Rússia, mas mostram que tarifas diretas mais altas podem ampliar a importância comercial dos intermediários regionais. A cerveja de países hostis representa apenas cerca de 4–5% do mercado russo de cerveja e bebidas à base de cerveja, cujo volume anual é de aproximadamente 8 bilhões de litros, segundo Maxim Chernigovsky, dirigente do Clube dos Profissionais do Mercado de Álcool. Esses produtos já custam cerca de 2,5 a 3 vezes mais que a cerveja russa. Uma tarifa de 5 euros concentraria a pressão sobre marcas estrangeiras premium, importadores especializados e consumidores, além de oferecer maior proteção às cervejarias russas em um segmento pequeno, mas visível.