Rússia avalia proibir exportações de benzeno, fenol, tolueno e xilenos
A Rússia avalia restringir as exportações de benzeno, fenol, tolueno e xilenos para proteger o abastecimento doméstico durante a manutenção de refinarias. Ainda não há decisão final, e a inclusão de benzeno e fenol concentra as divergências.
Governo analisa restrições para quatro produtos
A Rússia avalia restringir as exportações de benzeno, fenol, tolueno e xilenos para preservar matérias-primas destinadas aos produtores domésticos de combustíveis e petroquímicos. A Pronedra, citando reportagem do Kommersant, informou que a proposta foi discutida em meados de agosto por um grupo de trabalho da comissão governamental de desenvolvimento econômico e integração.
Ainda não há decisão final. A principal divergência é se benzeno e fenol devem fazer parte de um possível embargo. Os órgãos responsáveis pretendem consultar os participantes do mercado antes de retomar a discussão. Com isso, tanto a lista de produtos quanto a data de uma eventual restrição continuam indefinidas.
O debate amplia o uso de controles russos sobre as exportações de derivados de petróleo. A Pronedra havia informado anteriormente que a proibição russa à exportação de diesel permaneceria em vigor até o outono. A medida sobre aromáticos, porém, iria além dos combustíveis e afetaria matérias-primas utilizadas por vários segmentos da indústria química.
Manutenção de refinarias aperta o balanço doméstico
A iniciativa decorre de uma mudança no balanço interno russo de matérias-primas petroquímicas. A produção de alguns componentes cai durante a manutenção das refinarias russas, enquanto a demanda industrial permanece elevada. Parte dos hidrocarbonetos aromáticos também é usada no segmento de combustíveis, aumentando a disputa entre petroquímicas e fabricantes de combustíveis pelo mesmo suprimento doméstico.
Os aromáticos desempenham várias funções no refino e na fabricação de produtos químicos. O benzeno é uma matéria-prima importante para a síntese orgânica, inclusive na produção de fenol, estireno e outros componentes. O fenol é usado em resinas sintéticas e outros materiais destinados às indústrias de madeira, construção e química. Tolueno e xilenos são empregados no refino, como solventes e como insumos para tintas, revestimentos e outros produtos químicos.
Essa sobreposição de usos explica por que as autoridades consideram intervir nas exportações, em vez de tratar o problema como uma escassez isolada. Manter mais material na Rússia poderia melhorar o abastecimento de refinarias e fábricas a jusante durante as paradas de manutenção. A medida também poderia reduzir os volumes disponíveis para compradores regionais, embora as fontes não apresentem números sobre embarques atuais, produção ou duração de uma possível proibição.
Fabricantes de resinas enfrentam pressão
A escassez de um componente aromático pode atingir rapidamente os setores relacionados. Segundo as fontes citadas nas reportagens, os fabricantes de resinas industriais destinadas ao processamento de madeira enfrentam uma situação especialmente difícil. O fenol pode ser produzido a partir de benzeno e propileno, de modo que a menor disponibilidade dos insumos afeta várias etapas da fabricação.
O aumento dos custos das matérias-primas químicas eleva os custos das empresas a jusante. Os produtores de resinas e materiais competem não apenas com outros consumidores químicos, mas também indiretamente com o setor de combustíveis quando os aromáticos podem ser direcionados à produção de combustíveis automotivos. Uma restrição poderia aliviar a pressão sobre alguns compradores russos, mas o resultado dependeria da lista de produtos e da recuperação da produção após a manutenção das refinarias.
A disputa sobre benzeno e fenol é particularmente relevante porque os dois produtos estão ligados na mesma cadeia produtiva. Excluí-los poderia limitar o apoio aos fabricantes de resinas e às empresas de síntese orgânica; incluí-los imporia restrições maiores aos exportadores e clientes estrangeiros. Até que os órgãos consultem as empresas e o governo volte a analisar a proposta, os negociadores petroquímicos regionais enfrentarão incerteza sobre a oferta russa de aromáticos.