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Boa safra de grãos da Romênia favorece exportações, mas não garante alimentos mais baratos

A Romênia poderá colher cerca de 8,2 milhões de toneladas de milho em 2026 e obter uma das melhores safras de trigo dos últimos anos. A demanda regional, os custos de processamento e as dificuldades logísticas podem impedir que a maior oferta reduza os preços no varejo.

Boa safra de grãos da Romênia favorece exportações, mas não garante alimentos mais baratos

Romênia ganha vantagem diante das perdas agrícolas europeias

A Romênia caminha para uma safra de cereais acima da média em 2026, enquanto seca, calor extremo e incêndios prejudicam lavouras em outras regiões da Europa. A Digi24 cita uma análise de uma consultoria econômica baseada em dados da Comissão Europeia, no Boletim MARS do Centro Comum de Investigação e em fontes do mercado agrícola. Segundo o estudo, o país poderá ampliar as exportações de grãos à medida que compradores procurem substituir a oferta perdida nos mercados mais afetados.

A Comissão Europeia reduziu suas previsões de produção de girassol em 7%, de milho em 6% e de batata e soja em cerca de 3%. As culturas de primavera foram as mais prejudicadas, enquanto trigo de inverno, cevada e colza sofreram relativamente menos. O calor acelerou a maturação e a colheita, mas encurtou o enchimento dos grãos e reduziu a produção. A estimativa espanhola para os cereais em 2026-2027 caiu de cerca de 24 milhões de toneladas para pouco mais de 18,5 milhões, enquanto a França enfrenta uma das piores perspectivas para o milho em décadas.

Perspectiva do milho melhora, mas estimativas do trigo divergem

A safra romena de milho de 2026 é estimada em aproximadamente 8,2 milhões de toneladas, ante 7,75 milhões de toneladas previstas para 2025. Caso esse volume se confirme, a Romênia poderá se tornar um dos principais fornecedores de milho para o mercado europeu em uma temporada de perdas climáticas no oeste do continente. Os resultados finais de milho, girassol e soja, porém, ainda dependem do clima em agosto e setembro.

O quadro do trigo é menos definido. As estimativas públicas variam de 13,3 milhões a 14 milhões de toneladas, mas não foram confirmadas oficialmente. Em maio, a Comissão Europeia estimava a produção de trigo macio em cerca de 11,06 milhões de toneladas. A diferença supera 2 milhões de toneladas. Os dados permitem esperar uma das melhores safras romenas de trigo dos últimos anos, mas ainda não confirmam um recorde.

Demanda regional limita a queda dos preços internos

Uma safra maior não significa necessariamente grãos mais baratos para os compradores romenos. Como integrante do mercado único europeu, a Romênia pode vender sua produção no exterior. Colheitas fracas na França, Espanha ou em outros países podem elevar a procura por grãos romenos e aproximar os preços domésticos das cotações regionais. Isso favorece a receita dos agricultores e as exportações, mas pode trazer pouco benefício direto aos consumidores.

A estrutura da indústria de alimentos reduz ainda mais a relação entre o tamanho da safra e o preço no varejo. A Romênia pode exportar trigo e importar alimentos processados, ou vender girassol e milho enquanto compra óleo vegetal e produtos de carne. Segundo a análise citada pela Digi24, a matéria-prima agrícola representa apenas cerca de 20%-30% do preço de um alimento processado. O restante corresponde a energia, embalagens, transporte, mão de obra, aluguéis, margens comerciais e imposto sobre valor agregado.

Logística e energia criam pressão adicional

A seca pode elevar os custos mesmo quando as lavouras romenas apresentam produtividade satisfatória. O baixo nível do Danúbio reduz a quantidade de grãos transportada por cada barcaça e aumenta o frete por unidade. A menor geração hidrelétrica também pode pressionar os gastos de energia de processadores e varejistas. Esses fatores podem anular o efeito de preços agrícolas estáveis ou mais baixos antes que os alimentos cheguem aos supermercados.

Os efeitos também aparecem com atraso, à medida que os estoques são consumidos e os novos custos avançam pela cadeia de abastecimento. A análise prevê pressão mais visível a partir do inverno e ao longo de 2027, provavelmente como aumento gradual, e não como um choque repentino. Na zona do euro, a inflação de alimentos, álcool e tabaco caiu para 1,6% em junho. Economistas do Deutsche Bank citados no estudo estimam, porém, que o choque das commodities poderá acrescentar cerca de 0,8% aos preços dos alimentos no ano seguinte. A safra cria uma oportunidade comercial para a Romênia, mas proteger os consumidores exigirá mais irrigação, seguro agrícola e capacidade doméstica de processamento.

Análise completa do mercado

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