Romênia pede mudanças nas regras de gás da UE antes da produção no Neptun Deep
A Romênia pretende pressionar Bruxelas por mudanças nas obrigações sobre metano e armazenamento de CO₂, consideradas desproporcionais pela indústria de gás do país. O Neptun Deep deve iniciar a produção no primeiro semestre de 2027 e pode reforçar o abastecimento regional.
Romênia prepara seus argumentos para Bruxelas
A Romênia prepara-se para pedir mudanças em dois marcos regulatórios da União Europeia que afetam sua indústria de gás, à medida que se aproxima o início da produção do projeto offshore Neptun Deep. Segundo o Money.ro, produtores, representantes do setor energético, autoridades romenas e funcionários europeus debateram o Regulamento da Indústria de Impacto Zero, ou NZIA, e o Regulamento da UE relativo ao metano durante a conferência regional Eurogas 2026, em Bucareste.
O Neptun Deep deve entrar em produção no primeiro semestre de 2027. Representantes da Romgaz e da OMV Petrom defenderam que o projeto e a atual produção doméstica da Romênia sejam tratados como ativos estratégicos enquanto a Europa reduz sua dependência de fornecedores externos. O projeto pode ampliar significativamente a produção romena de gás e fortalecer a posição do país como fornecedor da Europa Central e Oriental, região que perdeu uma parcela importante do abastecimento tradicional de gás russo.
Obrigações de armazenamento de CO₂ geram resistência
O NZIA estabelece para 2030 a meta de pelo menos 50 milhões de toneladas de capacidade anual de injeção de CO₂ em locais de armazenamento geológico na UE. Os produtores de petróleo e gás abrangidos pela legislação devem contribuir para esse objetivo. A Comissão Europeia já definiu contribuições individuais para várias empresas europeias, entre elas a OMV Petrom e a Romgaz.
Representantes da indústria romena afirmam que as obrigações são desproporcionais à infraestrutura disponível e ao estágio de desenvolvimento da captura e do armazenamento de carbono no país. Oana Ijdelea, integrante da direção da Black Sea Oil & Gas, apontou dificuldades técnicas e geológicas que podem tornar algumas exigências impossíveis de cumprir nos prazos estabelecidos. A Comissão apresenta outra avaliação: em maio de 2026, declarou que a meta de 50 milhões de toneladas continuava viável, embora projetos e licenciamentos precisassem avançar com maior rapidez.
A Romênia ainda pode assumir um papel maior na gestão europeia de carbono. Adrian Porfir, diretor do programa de CCUS da Holcim Romania, afirmou que o país tem potencial para se tornar um polo regional de CO₂. Isso exigiria dutos, terminais e instalações de armazenamento, além de um marco jurídico que trate do acesso à terra e dos direitos de propriedade. Os participantes também identificaram o biometano como uma opção para reduzir emissões e diversificar as fontes de energia gasosa, mas observaram que a regulação e o licenciamento continuam atrasando projetos em outros mercados europeus.
Infraestrutura antiga eleva o custo do controle de metano
O Regulamento 2024/1787 da UE obriga operadores de petróleo, gás e carvão a medir, monitorar, comunicar e verificar as emissões de metano. A norma também abrange detecção e reparo de vazamentos, ventilação, queima e emissões de poços inativos ou abandonados. A preocupação da Romênia é a escala de sua infraestrutura histórica: monitorar o grande número de poços existentes e aplicar as novas regras pode gerar custos substanciais. Em setembro de 2026, a Comissão atualizou suas orientações sobre os requisitos de importação do regulamento e destacou a necessidade de soluções de conformidade que não coloquem a segurança energética em risco.
Daniel Apostol, diretor-geral da Federação dos Empregadores de Energia, afirmou que a produção doméstica de gás deve dar à Romênia peso político nas negociações com as instituições da UE. O secretário de Estado da Energia, Cristian Bușoi, disse que o país apoiará uma revisão do Regulamento relativo ao metano e mudanças nas obrigações do NZIA que o afetam de forma desproporcional. O presidente da Eurogas, Cristian Signoretto, apoiou os objetivos de redução de metano, mas pediu uma aplicação que não prejudique novos contratos de abastecimento nem investimentos na produção de gás.
O resultado terá efeitos que vão além dos custos de conformidade. Representantes da indústria alertaram que o acúmulo de restrições pode levar investimentos para fora da Europa, enquanto a Comissão considera o armazenamento de CO₂ e a redução de metano essenciais para a descarbonização. O desafio imediato da Romênia é obter regras viáveis sem atrasar o Neptun Deep nem enfraquecer as metas de emissões que sustentam a política energética da UE.