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Investimento estrangeiro direto na Romênia cai 82% no primeiro semestre de 2026, para 669 milhões de euros

O investimento estrangeiro direto na Romênia somou 669 milhões de euros no primeiro semestre de 2026, ante 3,72 bilhões de euros um ano antes, segundo dados do Banco Nacional da Romênia citados pelo presidente da ARICE, Daniel Constantin. A queda dos lucros reinvestidos e a redução do crédito intragrupo explicam a maior parte da diferença de 3,05 bilhões, ao lado de operações pontuais como a transferência da operação do Carrefour para um proprietário residente.

Investimento estrangeiro direto na Romênia cai 82% no primeiro semestre de 2026, para 669 milhões de euros

O investimento estrangeiro direto (IED) na Romênia caiu para 669 milhões de euros no primeiro semestre de 2026, ante 3,72 bilhões de euros no mesmo período de 2025 — uma redução de cerca de 82%. Os dados são do Banco Nacional da Romênia e foram citados por Daniel Constantin, presidente da ARICE, em entrevista ao Mediafax.

Constantin afirmou que o sinal não deve ser minimizado, mas que uma evolução estatística de seis meses não pode ser confundida com um veredicto sobre a atratividade da economia romena. O IED, lembrou, é um indicador financeiro composto que reúne participações no capital, lucros reinvestidos e créditos intragrupo, e cada um desses componentes teve comportamento distinto no semestre.

Como se compõe a diferença de 3,05 bilhões de euros

A diferença de cerca de 3,05 bilhões de euros em relação ao primeiro semestre anterior se distribui, segundo os números apresentados por Constantin, da seguinte forma:

  • cerca de 1,2 bilhão de euros pela queda dos lucros reinvestidos;
  • cerca de 1,1 bilhão de euros pela redução do financiamento intragrupo;
  • 750 milhões de euros pela evolução das participações no capital.

O principal determinante foi o saldo negativo dos lucros reinvestidos, de aproximadamente 1,12 bilhão de euros apenas no segundo trimestre. Os dividendos distribuídos por empresas de capital estrangeiro, inclusive a partir de lucros acumulados em anos anteriores, superaram os lucros correntes. O fenômeno tem componente sazonal, já que os dividendos costumam ser pagos na primeira metade do ano, mas sua amplitude também indica queda da rentabilidade operacional, em um cenário de desaceleração da atividade econômica, aumento de riscos e incerteza persistente.

Operações pontuais e o componente energético

Parte da queda vem de operações isoladas, e não da retirada de capacidade produtiva. Constantin citou a transferência de uma grande rede de varejo de um proprietário não residente para um investidor residente — trata-se do Carrefour, segundo o Mediafax. Do ponto de vista estatístico, uma operação desse tipo reduz o fluxo líquido de investimento estrangeiro sem significar necessariamente o desaparecimento da atividade econômica ou dos empregos associados.

O Mediafax informa que, no mesmo período, os déficits em setores-chave se aprofundaram, com os produtos energéticos significativamente afetados pelas mudanças geopolíticas. Constantin atribui parte da queda do IED ao contexto europeu difícil, enquanto a distribuição de dividendos, a redução dos lucros reinvestidos, os créditos intragrupo e determinadas transações explicam a amplitude da variação estatística.

Para onde se desloca o interesse dos investidores

A ARICE e a InvestRomania continuam registrando interesse tanto em projetos novos quanto na ampliação de investimentos já existentes. “Os investidores estão mais cautelosos, analisam mais cenários e decidem mais devagar, mas o interesse existe”, disse Constantin. Muda também o tipo de projeto em discussão, com deslocamento para maior valor agregado, tecnologia e produção avançada. Os setores mencionados são indústria de transformação e produção avançada, automotivo e componentes, energia e armazenamento de energia, TI e tecnologias digitais, defesa e indústrias de uso dual, logística, farmacêutica, alimentos, serviços e pesquisa e desenvolvimento.

A Europa segue como principal fonte de interesse, com diálogo também com investidores da América do Norte e da Ásia. Constantin associa isso à reconfiguração das cadeias globais de suprimento e à aproximação de capacidade produtiva do mercado europeu. Os critérios de escolha já não se limitam ao custo: mão de obra, infraestrutura e conectividade, energia, tributação, acesso a financiamento e a esquemas de apoio, e presença de fornecedores locais. Nesses critérios, a Romênia oferece um dos maiores mercados da região, acesso direto ao mercado único europeu, posição entre a Europa Central, os Bálcãs Ocidentais e a região do Mar Negro, base industrial diversificada, competências técnicas e digitais, recursos energéticos e acesso a financiamento europeu.

Do interesse ao projeto fechado

Por meio da InvestRomania, a ARICE identifica e aborda investidores estratégicos, fornece as informações necessárias para fundamentar a decisão, facilita o diálogo com autoridades centrais e locais, apoia a seleção de terrenos e acompanha o investidor ao longo de todo o processo decisório, além do trabalho de acompanhamento com as empresas já instaladas. Constantin destacou o fator tempo: entre o primeiro contato, a análise de vários mercados, a escolha do local e a decisão final podem passar meses ou até anos, razão pela qual os fluxos financeiros já registrados e o interesse de investimento atual precisam ser avaliados separadamente. Ele observou ainda que a ampliação de capacidade por empresas já presentes no país é uma nova decisão de confiança e deve contar na avaliação da política de atração de investimentos.

Análise completa do mercado

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