Pacientes romenos esperam 1.100 dias por medicamentos inovadores
Os pacientes na Romênia esperam cerca de 1.100 dias para ter acesso a medicamentos inovadores, ante a média europeia de 597 dias. Há 50 tratamentos aguardando inclusão na lista de reembolso.
Acesso demora quase o dobro da média europeia
Os pacientes na Romênia esperam cerca de 1.100 dias para ter acesso a medicamentos inovadores, quase o dobro da média europeia de 597 dias, segundo dados citados pela Digi24. Os números abrangem medicamentos inovadores aprovados entre 2021 e 2024 e mostram que a autorização regulatória não garante a disponibilidade do tratamento. Algumas terapias já foram aprovadas pela Agência Nacional de Medicamentos da Romênia, mas continuam fora do sistema público de reembolso porque o financiamento ou os procedimentos de implementação ainda não foram concluídos.
De acordo com a Associação Romena dos Fabricantes Internacionais de Medicamentos, 50 tratamentos inovadores aguardam atualmente a inclusão na lista de medicamentos reembolsados. Eles atendem áreas como oncologia, doenças cardiovasculares e neurológicas, além de doenças raras. O Ministério da Saúde informou à Digi24 que está tomando medidas para disponibilizar 33 desses medicamentos. No entanto, confirmou que as formalidades necessárias, incluindo os protocolos de administração, ainda não foram totalmente concluídas.
Aprovação, reembolso e financiamento são barreiras distintas
A legislação romena estabelece prazos para atualizar a lista de reembolso, mas eles não estão sendo cumpridos, afirmou à Digi24 Ioana Bianchi, diretora de relações externas da associação setorial. O atraso cria um gargalo após a aprovação: a farmacêutica pode ter um produto autorizado, enquanto médicos e pacientes continuam sem acesso por meio do sistema de saúde financiado. Essa incerteza também dificulta o planejamento dos lançamentos e a passagem de programas temporários de acesso para o fornecimento nacional regular.
Um dos casos é o de Camelia Soceanu, que vive com mieloma múltiplo, um câncer do sangue que começa na medula óssea. Seu medicamento inovador recebeu aprovação nacional, mas ainda não entrou no sistema de reembolso. Atualmente, ela recebe o tratamento por meio de um programa de doação de uma empresa farmacêutica. Esses programas podem garantir acesso temporário, mas possuem capacidade limitada e não substituem um mecanismo de fornecimento financiado. Para pacientes oncológicos, a interrupção do tratamento pode provocar o rápido retorno da doença, enquanto a continuidade pode permitir a manutenção do trabalho e da rotina diária.
Menor gasto com medicamentos amplia a pressão
A Romênia gasta 138 euros por habitante com medicamentos, ante cerca de 220 euros nos países vizinhos e uma média de 550 euros por pessoa na Europa Ocidental, informou a Digi24. As diferenças ajudam a explicar a pressão orçamentária em torno das decisões de reembolso, embora o adiamento da cobertura não elimine os custos de saúde. Representantes dos pacientes e do setor argumentam que doenças sem tratamento oportuno podem evoluir para incapacidade, exigir internações mais frequentes e acabar gerando despesas maiores.
Rozalina Lepădatu, presidente da Associação de Pacientes com Doenças Autoimunes, alertou que atrasos no reembolso podem levar ao agravamento da doença, à incapacidade ou à morte. Bianchi também afirmou que os custos não desaparecem quando medicamentos inovadores ficam sem reembolso, pois os pacientes pioram e precisam de atendimento hospitalar com maior frequência. Para os fabricantes farmacêuticos, o prazo de acesso de 1.100 dias representa uma longa distância entre a aprovação e um lançamento reembolsado viável. Para pacientes e prestadores de saúde, significa que o fornecimento nacional de terapias autorizadas pode depender de protocolos pendentes, orçamentos públicos limitados ou doações empresariais, em vez de um reembolso previsível.
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