Romênia avança com regras mais rígidas de origem para o mel
A Romênia analisa uma lei que obrigaria os rótulos de mel a identificar todos os países onde o produto foi colhido. Nas misturas, também seria necessário informar a participação de cada origem, ampliando as exigências de rastreabilidade para embaladores, importadores e varejistas.
A origem passaria para a área principal do pote
A Romênia avança em direção a regras mais rígidas para a identificação do país de origem do mel vendido em seu mercado. Segundo o bihon.ro, uma proposta legislativa que recebeu parecer favorável na Câmara dos Deputados exigiria a indicação do país ou dos países onde o mel foi colhido. A informação teria de aparecer no campo visual principal, ficando mais visível durante a comparação entre produtos.
A proposta alteraria o artigo 17¹ da Lei de Apicultura romena nº 383/2013. A distinção central é entre o mel colhido exclusivamente na Romênia e as misturas feitas com produto de vários países. Para produtores, embaladores e varejistas, a origem deixaria de ser uma indicação genérica para se tornar uma característica destacada do produto.
As novas obrigações ainda não estão em vigor. O projeto passou pelo Senado e recebeu parecer favorável na Câmara dos Deputados, mas ainda precisa ser aprovado pela casa. Depois, terá de ser promulgado e publicado no Diário Oficial da Romênia. Portanto, produtores e comerciantes não são obrigados neste momento a modificar seus rótulos com base na proposta.
Misturas terão divulgação mais detalhada
A iniciativa romena acompanha mudanças já adotadas no âmbito da União Europeia. A Diretiva (UE) 2024/1438 determina que os países de origem das misturas de mel sejam apresentados em ordem decrescente, acompanhados do percentual correspondente a cada origem. Esses percentuais deverão ser sustentados pelos documentos de rastreabilidade dos operadores.
Se esse modelo for incorporado às normas nacionais, o comprador receberá informações mais detalhadas do que uma referência ampla a vários mercados de origem. Um pote com uma mistura identificará os países participantes e suas proporções, enquanto o mel colhido apenas na Romênia poderá ser diferenciado mais facilmente dos produtos importados ou misturados.
O formato concreto de apresentação também dependerá de normas de aplicação a serem aprovadas posteriormente. Embaladores e importadores ainda não têm uma especificação técnica definitiva para questões como a organização do rótulo. Mesmo assim, empresas que trabalham com mel de várias origens precisarão de registros confiáveis que relacionem cada lote aos países de colheita e às proporções usadas na mistura final.
Produção doméstica menor aumenta a urgência
Os autores do projeto citam as dificuldades dos apicultores romenos e a pressão do mel importado vendido a preços mais baixos. Dados da Associação de Criadores de Abelhas da Romênia indicam que a produção nacional é afetada tanto pela redução das populações de abelhas quanto pelos preços no mercado internacional.
Segundo o presidente da associação, a produção romena de mel pode atingir apenas 10.000-15.000 toneladas em 2026, ficando abaixo do nível de um ano normal. Nesse cenário, uma rastreabilidade mais precisa pode ajudar os produtores locais a diferenciar o mel colhido na Romênia das importações, sem restringir a venda de produtos estrangeiros.
Para importadores e embaladores, a proposta aumentaria a importância da documentação de origem durante a compra, a mistura e o envase. Os varejistas também teriam de verificar se os potes atendem às futuras regras de apresentação. O efeito imediato permanece limitado porque o processo legislativo ainda não terminou, mas as empresas que vendem mel na Romênia já sabem quais informações seus rótulos poderão ter de apresentar.