Restrições de Marrocos desviam exportações tunisinas de tâmaras para a Ásia
Exportadores tunisinos de tâmaras buscam clientes na Malásia, na Indonésia e em outros mercados asiáticos diante das restrições de acesso a Marrocos. O país recebeu 17,1% das exportações tunisinas nos cinco primeiros meses da campanha 2025-2026.
Acesso ao maior mercado da Tunísia fica mais restrito
Os exportadores tunisinos de tâmaras estão intensificando a busca por compradores na Ásia porque o reforço dos controles de importação de Marrocos ameaça o acesso ao seu principal mercado nacional. Segundo o Bladi.net, as empresas estão concentrando esforços na Malásia e na Indonésia antes do início da nova temporada, além de avaliar outros países asiáticos com grandes populações muçulmanas.
Marrocos continuou sendo o maior destino individual das tâmaras tunisinas nos cinco primeiros meses da campanha 2025-2026, com 17,1% das exportações. Na campanha anterior, sua participação ainda superava 20%. Essa concentração deixa produtores, embaladores e comerciantes tunisinos expostos a mudanças na gestão marroquina das importações e na demanda.
Mohamed Akermi, exportador entrevistado pela FreshPlaza e citado pelo Bladi.net, afirmou que seus clientes marroquinos esperavam a manutenção das restrições. De acordo com as informações disponíveis para ele, as importações não seriam retomadas antes do fim de janeiro e depois ficariam sujeitas a autorizações e cotas. Trata-se da expectativa de um profissional do setor, não de um calendário confirmado pelas autoridades marroquinas.
Interrupção anterior bloqueou cerca de 15.000 toneladas
A incerteza prolonga os problemas surgidos na campanha anterior, quando Marrocos reativou uma antiga regulamentação para controlar as importações. Segundo o Bladi.net, a decisão surpreendeu os exportadores tunisinos e deixou aproximadamente 15.000 toneladas de tâmaras bloqueadas em Casablanca. O episódio demonstrou o risco operacional de depender fortemente de um destino cujas condições de acesso podem mudar rapidamente.
Se as restrições continuarem, parte da safra de Deglet Nour tradicionalmente enviada a Marrocos terá de ser redirecionada para a Ásia e a Europa. Os exportadores estão ampliando a prospecção comercial e a participação em feiras especializadas antes da temporada. Contudo, trocar um comprador por outro exige desenvolver relações de distribuição e adaptar produtos e embalagens à demanda local.
A pressão não se limita à Tunísia. O Bladi.net também informou que exportadores argelinos manifestaram preocupação antes do Ramadã porque suas tâmaras Deglet Nour, normalmente procuradas em Marrocos, estavam retidas na fronteira. As restrições marroquinas podem, portanto, redirecionar uma parcela maior da oferta norte-africana e aumentar a concorrência entre vendedores tunisinos e argelinos nos mercados alternativos.
Produtos processados ampliam o período de vendas
Os exportadores tunisinos já contam com uma base para crescer, pois a Deglet Nour possui boa reputação na Malásia e na Indonésia. A intenção é elevar os volumes nesses mercados e entrar em outros países asiáticos. Destinos com grandes populações muçulmanas são comercialmente atraentes porque o consumo de tâmaras aumenta durante o Ramadã, embora a procura varie conforme a apresentação do produto.
A Ásia também pode proporcionar um período de comercialização mais longo. Durante o Ramadã, a demanda é maior por tâmaras vendidas no ramo, enquanto as tâmaras embaladas e sem caroço podem continuar sendo comercializadas depois do mês sagrado. Essa diferença permite que processadores e embaladores diversifiquem os formatos e reduzam a dependência das vendas sazonais de produtos tradicionais.
Ásia e Europa podem absorver parte da oferta redirecionada, mas a antiga participação de Marrocos torna a substituição uma tarefa relevante. O desafio imediato dos exportadores tunisinos é obter pedidos alternativos suficientes para conter a pressão sobre os estoques caso autorizações e cotas limitem as vendas. Uma carteira mais ampla de destinos pode reduzir a dependência de um único mercado, embora os fornecedores enfrentem maior concorrência e custos mais altos de desenvolvimento comercial.