República Dominicana resiste à exigência dos EUA de abertura total do mercado de arroz
O Ministério da Agricultura da República Dominicana afirma que o país não importa arroz desde janeiro de 2026, com um estoque de cerca de 7,2 milhões de quintais. Os Estados Unidos exigem a revogação do Decreto 693-24, que limita a 23.300 toneladas a cota de arroz americano isenta de tarifa, gerando preocupação entre produtores locais.
Sem importações desde janeiro
A República Dominicana não importa arroz desde janeiro de 2026, quando Francisco Oliverio Espaillat Bencosme assumiu o Ministério da Agricultura, afirmou o próprio ministro, segundo o Diario Financiero. O país mantém atualmente um estoque de aproximadamente 7,2 milhões de quintais do cereal, suficiente para abastecer o mercado interno sem necessidade de autorizar compras externas adicionais.
Espaillat citou como referência o atraso registrado no fim de 2025 em um carregamento procedente dos Estados Unidos, correspondente à cota preferencial de arroz daquele período. Apesar do atraso, o abastecimento interno não foi interrompido graças à produção nacional disponível. O arroz que finalmente chegou no início de janeiro de 2026 correspondia às 23.300 toneladas métricas previstas na cota preferencial para o arroz de origem americana sob o DR-CAFTA, o acordo de livre-comércio entre a República Dominicana, a América Central e os Estados Unidos.
Disputa em torno do Decreto 693-24
Os Estados Unidos pediram ao governo dominicano que revogue o Decreto 693-24, por considerar que a medida afeta as condições de acesso ao mercado previstas para o seu arroz sob o DR-CAFTA, segundo o deultimominuto.com e o Listín Diario. O decreto estabelece uma cota preferencial de 23.300 toneladas métricas de arroz americano com tarifa zero; para volumes acima desse total, aplica-se uma tarifa de Nação Mais Favorecida de 99%.
O presidente Luis Abinader declarou na quarta-feira que o governo mantém negociações com os Estados Unidos com base no tratado comercial e na tarifa zero, mas não especificou se há acordo sobre a revogação ou alteração do decreto. O partido Frente Amplio alertou separadamente sobre o impacto negativo que a revogação do Decreto 693-24 poderia ter, segundo a Prensa Latina.
Produtores alertam para falta de preparo
Tito Hernández, presidente da Associação Nacional de Profissionais Agropecuários (ANPA), afirmou que a República Dominicana não está preparada para enfrentar uma abertura total do mercado do arroz e que atender à exigência dos EUA poderia comprometer uma das principais atividades agrícolas do país, segundo o Listín Diario e o deultimominuto.com. Hernández afirmou que, ao longo de quase duas décadas de desgravação tarifária sob o DR-CAFTA, o setor deveria ter modernizado os sistemas de irrigação, reduzido os custos de produção, renovado variedades, fortalecido a pesquisa e ampliado o financiamento e a mecanização — medidas que, em sua avaliação, não foram plenamente adotadas.
Segundo Hernández, uma eventual eliminação das proteções atuais poderia afetar cerca de 30 mil produtores e uma cadeia econômica que, de acordo com dados divulgados pelas autoridades quando o decreto foi anunciado, supera RD$45.000 milhões por ano. Ele alertou que os produtores dominicanos teriam de competir com uma agricultura americana de maior escala e tecnificação, e que uma abertura repentina poderia pressionar os preços locais para baixo, aumentar o endividamento e reduzir as áreas plantadas. Também alertou para o risco de o país perder progressivamente sua capacidade de autoabastecimento e aumentar sua dependência de importações de um alimento básico.
- Estoque atual de arroz: aproximadamente 7,2 milhões de quintais
- Cota preferencial do DR-CAFTA para arroz americano: 23.300 toneladas métricas com tarifa zero
- Tarifa sobre volumes acima da cota: 99% (Nação Mais Favorecida)
- Produtores potencialmente afetados por uma abertura total: aproximadamente 30 mil
- Valor estimado da cadeia do arroz: mais de RD$45.000 milhões por ano
Caminho proposto
Hernández propôs a realização de um estudo independente sobre os efeitos econômicos, sociais e alimentares de uma abertura do mercado, além de mecanismos de transição e proteção para os produtores nas conversas com os Estados Unidos. “A posição da ANPA deve ser clara: não somos contra o comércio nem contra o cumprimento de acordos internacionais. Somos contra sacrificar o produtor dominicano para pagar as consequências de vinte anos de falta de preparo”, declarou.
Espaillat, em participação na Feria Expo Pueblo Nuevo 2026, pediu a produtores e industriais que mantenham a calma e confiem na condução das negociações pelo governo. “Nossos produtores deram a cara a tapa nos momentos mais difíceis, e isso demonstra a força que o setor tem hoje”, disse, acrescentando que o presidente Abinader “já deu provas suficientes de que é um aliado da produção nacional”.