República Dominicana depende totalmente de trigo e óleo de soja importados
A República Dominicana cobriu com importações 100% do consumo aparente de trigo e óleo de soja no primeiro trimestre de 2026, segundo dados da ONE publicados pela Revista Mercado. A dependência também atingiu 99.2% no alho e 95.1% no milho, enquanto várias culturas nacionais geraram excedentes.
Trigo e óleo de soja são integralmente abastecidos por importações
A República Dominicana dependeu de fornecedores estrangeiros para cobrir todo o consumo aparente de trigo e óleo de soja no primeiro trimestre de 2026. Os números evidenciam uma grande diferença entre as capacidades nacionais de produção de cada alimento. Segundo dados do Escritório Nacional de Estatística, ONE, divulgados pela Revista Mercado, a taxa de dependência das importações foi de 100% para ambos os produtos.
O indicador mede a parcela do consumo aparente atendida por compras no exterior. Um percentual elevado não significa necessariamente a inexistência de produção nacional, mas indica que a oferta local é insuficiente diante do consumo estimado. No caso do trigo, a metodologia da ONE apontou que as importações cobriram todo o consumo aparente entre janeiro e março.
A exposição do trigo vai além do mercado do grão, pois ele é matéria-prima essencial para farinha, pão, massas, biscoitos e outros alimentos processados. O óleo de soja também é importante para as famílias e para a indústria alimentícia. Preços internacionais, fretes, oscilações cambiais, condições climáticas nos países produtores e interrupções logísticas podem, portanto, afetar os custos de vários segmentos do setor de alimentos dominicano.
Alho e milho também apresentam forte exposição
O alho registrou dependência de importações de 99.2% entre janeiro e março de 2026, apesar da existência de cultivo nacional. O dado mostra a diferença entre produzir um alimento e produzir o suficiente para atender à demanda do país. A colheita local cobriu apenas uma pequena parcela do consumo aparente, deixando para os importadores praticamente todo o volume restante.
O milho veio logo depois, com taxa de dependência de 95.1%. Sua importância ultrapassa o consumo humano direto, pois o produto é utilizado como insumo em cadeias agropecuárias e alimentícias. A baixa cobertura nacional permite que mudanças na disponibilidade internacional ou no custo de aquisição se transmitam a outros produtos e participantes do mercado.
Outros alimentos importantes apresentaram exposição menor, mas ainda relevante. A dependência foi de 21.5% no arroz, 23.3% no frango terminado e 23.9% na batata. O feijão chegou a 40.5%, enquanto os suínos registraram 74%. Esses mercados têm uma base produtiva nacional maior que a de trigo, óleo de soja, alho ou milho, mas as importações continuam integrando a oferta do país.
Culturas nacionais mostram um quadro oposto
No mesmo trimestre, o país registrou autossuficiência superior a 100% em vagem, cabaça, tindora, pimentas, pepino, banana, mel, batata-doce e abacate. Um índice acima de 100% significa que a produção nacional superou o consumo aparente estimado, criando excedentes potencialmente destinados a outros mercados.
O contraste revela um sistema alimentar dominicano bastante desigual. Produtores locais conseguem atender ao consumo e gerar excedentes em várias categorias de frutas, hortaliças e mel, enquanto processadores e consumidores dependem quase totalmente dos mercados estrangeiros para cereais essenciais e óleo vegetal. Arroz, frango e batata ocupam uma posição intermediária, combinando produção local expressiva com uma necessidade contínua de importações.
Para produtores, processadores, comerciantes e investidores, os dados mostram que a segurança alimentar não pode ser avaliada apenas pela produção agropecuária total. A exposição de cada produto é decisiva, pois interrupções nos mercados de trigo, óleo de soja, alho ou milho podem afetar a disponibilidade e os custos locais mesmo quando outras culturas são abundantes. Os números da ONE também indicam a necessidade de analisar a concentração dos fornecedores junto com a taxa de dependência, embora os dados divulgados não identifiquem países fornecedores específicos.