Remessas de óculos inteligentes com IA sobem 263% no primeiro semestre de 2026 e Meta detém cerca de 94%
As remessas globais de óculos inteligentes com IA cresceram 263% na comparação anual no primeiro semestre de 2026, segundo a Counterpoint Research. Os modelos sem tela responderam por 96% das unidades e a Meta ficou com cerca de 94% do mercado global. Os óculos de realidade aumentada com funções de IA avançaram 449% a partir de uma base bem menor.
As remessas globais de óculos inteligentes com inteligência artificial cresceram 263% no primeiro semestre de 2026 em relação ao mesmo período de 2025, segundo análise da Counterpoint Research divulgada pelo portal de tecnologia romeno go4it.ro. Os dispositivos sem tela responderam por 96% de todas as unidades enviadas, enquanto os modelos de realidade aumentada com funções de IA seguiram como uma categoria bem menor, ainda que de crescimento mais rápido.
Os óculos com IA sem tela registraram alta de 258% nas remessas do semestre na comparação anual e de 22% frente ao segundo semestre de 2025. A comparação semestral pesa tanto quanto a anual: mostra que a categoria continua ganhando volume sobre uma base que já havia se ampliado no fim de 2025.
Meta responde por 94% das remessas
A Meta seguiu como fornecedora dominante. A Counterpoint estima que seus produtos representaram cerca de 94% das remessas globais de óculos com IA nos primeiros seis meses do ano. As remessas da Meta cresceram 260% frente ao primeiro semestre de 2025 e 22% em relação ao semestre anterior, em linha com o ritmo de todo o segmento sem tela.
A Counterpoint atribui o desempenho à ampliação da linha Ray-Ban Meta, ao lançamento de modelos mais baratos, à entrada em novos mercados e à expansão da distribuição no varejo físico. A parceria com a EssilorLuxottica é apontada como fator importante para o crescimento da categoria.
Peter Richardson, Research VP da Counterpoint, afirmou que a estrutura do mercado não mudou radicalmente três anos após o surgimento dos primeiros óculos Ray-Ban Meta. Empresas chinesas, entre elas Alibaba e Huawei, lançaram produtos próprios, mas o mercado fora da Meta continua fragmentado.
Óculos AR crescem mais rápido a partir de base menor
As remessas de óculos AR com funções de IA subiram 449% no primeiro semestre de 2026 na comparação anual e 18% frente ao semestre anterior. O ritmo supera com folga o da categoria sem tela, mas os volumes absolutos permanecem muito menores.
Os fabricantes chineses ocupam posição relevante nesse segmento. Rokid, Even Realities, Alibaba e INMO estão entre as empresas que avançaram na comercialização. A China é também o maior mercado para óculos AR com IA, seguida pela América do Norte.
Flora Tang, Principal Analyst da Counterpoint, avalia que a diferença entre os dois mercados responde nesta etapa mais à oferta do que à demanda dos consumidores. A China já conta com um ecossistema desenvolvido para óculos AR, que inclui:
- fabricantes de microdisplays;
- fornecedores de lentes waveguide;
- produtores de componentes de áudio;
- parceiros de manufatura.
As empresas chinesas também tendem a levar os produtos ao mercado mais cedo e a aprimorá-los com base no retorno dos usuários, enquanto Meta e Apple em geral esperam a maturação das tecnologias antes de ampliar a produção em escala, segundo a análise da Counterpoint.
Custo de componentes e privacidade moldam a próxima fase
Boa parte da diferença de volumes se explica pelo projeto do produto. As armações sem tela são mais leves e podem ser fabricadas a custo menor. Os modelos AR exigem sistemas ópticos mais complexos, em especial lentes waveguide que projetam informação no campo de visão, o que eleva o custo, aumenta o volume do aparelho e limita por ora a adoção em massa. Ainda assim, a Counterpoint lê o ritmo de crescimento como sinal de que a categoria tem espaço para se expandir.
Os fabricantes também precisam considerar a alta de preços de componentes eletrônicos. A Counterpoint aponta a memória como uma das principais fontes de pressão sobre custos, num momento em que a demanda por peças destinadas à infraestrutura de IA segue elevada.
As câmeras integradas aos óculos com IA levantam questões de privacidade e sobre o uso das imagens captadas. A Counterpoint espera, por isso, o surgimento de novos formatos, entre eles óculos com IA sem câmera voltados a funções de áudio e modelos que usam a câmera sobretudo para entender o ambiente, e não para fotografar ou filmar.
A Counterpoint projeta que o mercado siga crescendo à medida que Meta, Google, Samsung e Apple intensifiquem investimentos na categoria, e vê a próxima etapa em óculos capazes de agir de forma mais autônoma, interpretando o contexto e oferecendo informações ou ações antes de o usuário pedir explicitamente. Para isso são necessários avanços em software e sistemas operacionais, em interação por voz, em sensores e em processadores de consumo muito baixo.