Regras antidesmatamento da UE podem favorecer o farelo de soja dos EUA
O EUDR e a alta dos preços sul-americanos podem aumentar a competitividade do farelo de soja dos Estados Unidos na UE. As importações europeias de origem americana mais que dobraram, alcançando 547,5 mil toneladas em 2025/26.
Conformidade passa a integrar o cálculo de preços
A próxima aplicação do Regulamento da UE sobre Desmatamento pode tornar o farelo de soja dos Estados Unidos mais atraente para os importadores europeus, segundo a UkrAgroConsult. A norma acrescenta exigências de rastreabilidade e ausência de desmatamento às decisões de compra, enquanto a alta dos preços argentinos e brasileiros melhora a competitividade relativa do produto americano.
A mudança é relevante porque Argentina e Brasil continuam sendo os principais exportadores de farelo de soja para os mercados internacionais de ração animal. Os volumes americanos enviados à União Europeia ainda são consideravelmente menores, mas compradores que avaliam preço, disponibilidade e conformidade regulatória passam a ter mais motivos para diversificar a base de fornecedores.
Preços sul-americanos avançam
A Platts avaliou o farelo de soja argentino para entrega em outubro em US$ 404,10 por tonelada FOB Up River no dia 3 de setembro, alta de 4,6% em relação à semana anterior. No porto brasileiro de Paranaguá, o preço atingiu US$ 414,02 por tonelada FOB, avanço semanal de 3,6%. Essas altas reduzem a vantagem de preço tradicionalmente associada às origens sul-americanas e abrem espaço para fornecedores alternativos.
As cotações europeias também subiram. Em 4 de setembro, o farelo de soja nos Países Baixos custava € 400 por tonelada FOB, enquanto a cotação na Espanha atingiu € 403 por tonelada EXW. Os dois preços aumentaram € 18 por tonelada em uma semana, indicando que os fabricantes europeus de ração enfrentam custos de reposição maiores em várias origens.
A escala da oferta sul-americana, contudo, permanece difícil de desafiar. A S&P Global Energy CERA prevê que a Argentina exporte cerca de 29,5 milhões de toneladas de farelo de soja na temporada 2025/26, praticamente o mesmo volume do ciclo anterior. As exportações brasileiras são estimadas em 27 milhões de toneladas, alta anual de 4,2%. Esses volumes mantêm processadores e tradings sul-americanos em posição central na formação dos preços globais e na disponibilidade de contratos.
UE acelera compras dos Estados Unidos
A União Europeia já ampliou fortemente as compras de farelo de soja americano. As importações chegaram a 547,5 mil toneladas na temporada 2025/26, ante 251,5 mil toneladas em 2024/25, mais que dobrando. O volume absoluto ainda está bem abaixo da oferta disponível na Argentina e no Brasil, mas o crescimento mostra que os exportadores dos Estados Unidos estão conquistando demanda europeia adicional.
Segundo a S&P Global Energy CERA, a UE pode importar no total cerca de 7,7 milhões de toneladas de farelo de soja no quarto trimestre de 2026. Mesmo uma redistribuição limitada dessa demanda representaria uma oportunidade comercial relevante para processadores, exportadores e operadores logísticos americanos. Para os fabricantes europeus de ração, uma participação maior dos Estados Unidos ampliaria as opções de compra em um período de preços elevados e exigências documentais mais rígidas. O efeito final sobre o comércio dependerá do custo entregue e da capacidade de cada origem de fornecer as informações exigidas pelos compradores sob o EUDR.