Reforma de pesticidas da UE complica acesso de frutas e legumes marroquinos, e Marrocos mira mais exportações
Uma reforma da Comissão Europeia para impedir que pesticidas proibidos voltem à UE por meio de produtos importados pode endurecer o acesso de frutas e legumes marroquinos. O tomate está entre os produtos avaliados nos cenários de impacto, com até US$ 2,8 bilhões em exportações potencialmente expostas. Em encontro em Agadir em meados de setembro, o setor afirmou estar pronto para se adaptar e vender mais.
Uma reforma das regras europeias sobre pesticidas pode endurecer as condições de entrada de frutas e legumes marroquinos no mercado da União Europeia. O setor marroquino respondeu com uma meta de crescimento, e não com uma postura defensiva, informa o bladi.net.
O que Bruxelas está avaliando
A Comissão Europeia quer impedir que os pesticidas mais perigosos, proibidos na agricultura europeia por razões sanitárias ou ambientais, retornem à União por meio de produtos importados. Esses produtos já precisam respeitar os limites europeus de resíduos. Agora a Comissão estuda uma aproximação mais rígida das próprias regras de produção para determinadas substâncias. As modalidades ainda não foram definidas, e a reforma não fixou as obrigações que os exportadores terão de cumprir.
Essa incerteza é o dado prático para o comércio. Os exportadores conhecem a direção da mudança, mas não as exigências concretas, as substâncias abrangidas nem o calendário.
O tomate nos cenários de impacto
Marrocos tem motivos para acompanhar o dossiê de perto: seus tomates estão entre os produtos examinados nos cenários europeus de impacto. Um estudo calculou em US$ 2,8 bilhões as exportações marroquinas potencialmente expostas. O bladi.net ressalta que esse valor designa o comércio abrangido pelos cenários em estudo, e não vendas já perdidas. Um estudo da Comissão Europeia quantifica o impacto potencial de um endurecimento das regras sobre pesticidas e inclui um cenário intermediário para as exportações marroquinas de tomate à UE.
Produtores e exportadores marroquinos de tomate manifestam preocupação com a anunciada adoção de uma nova regulamentação que altera as condições de importação de frutas e legumes para a UE. Rabat também entrou no terreno da influência: a embaixada de Marrocos em Madri contratou a consultoria espanhola Acento Public Affairs para defender seus agricultores no cenário europeu.
Agadir: adaptar primeiro, vender mais depois
A Morocco Foodex reuniu em meados de setembro, em Agadir, profissionais marroquinos e europeus em torno das mudanças esperadas nos mercados da UE e do Reino Unido. Mais de trinta palestrantes participaram dos debates, entre eles representantes da Freshfel Europe e do britânico Fresh Produce Consortium. A conclusão do encontro, relatada em 22 de setembro pela Eurofruit, foi ofensiva: os participantes consideram o setor marroquino de frutas e legumes bem posicionado para se adaptar às novas exigências e ampliar suas exportações.
No dia seguinte, o grupo visitou o centro de pesquisa Maroc Citrus, no Souss, onde são desenvolvidos métodos de manejo integrado contra a mosca das frutas, e uma estação de seleção e embalagem de tomate cuja produção vai, entre outros destinos, para a Europa.
- Marrocos fornece 8% das frutas e legumes importados pela UE, mas aparece pouco nos alertas de pesticidas.
- Mais de 80% das exportações marroquinas de frutas e legumes frescos passam por Tanger Med.
- No pico da safra, o porto registra cerca de 700 caminhões de produtos frescos por dia antes do envio à Espanha.
O lado espanhol do fluxo
O segundo trunfo destacado pela Eurofruit é a logística. A concentração de volumes em Tanger Med e o curto trajeto rodoviário até a Espanha dão aos fornecedores marroquinos um ritmo de entrega inalcançável para origens mais distantes. É nessa proximidade com a Europa que Marrocos se apoia para defender sua posição no mercado.
Uma restrição ao comércio entre a União Europeia e Marrocos não atingiria apenas os exportadores marroquinos. O porto de Algeciras e toda a economia logística construída em torno do intercâmbio com Tânger dependem dos mesmos fluxos.
Antes mesmo de as novas obrigações serem escritas, Marrocos já ajusta seus métodos de produção. O recado enviado de Agadir é que o setor pretende transformar a própria adaptação em argumento comercial e exportar mais, não menos.