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Refinarias siberianas adiam manutenção diante do risco de falta de combustível

As refinarias da Sibéria adiaram para o outono as manutenções programadas para proteger o abastecimento russo de gasolina e diesel. A decisão ocorre após queda da produção e reparos imprevistos na Rússia Central no primeiro semestre de 2026.

Refinarias siberianas adiam manutenção diante do risco de falta de combustível

Refinarias mantêm produção durante o pico de demanda

As refinarias de petróleo da Sibéria adiaram para o outono as manutenções programadas a fim de reduzir o risco de falta de derivados no mercado interno russo, informou a Pravda.ru, citando o Banco Central da Rússia. A medida mantém mais capacidade de processamento disponível durante um período de demanda elevada e pressão sobre a oferta em outras regiões do país.

Segundo o regulador, as grandes unidades siberianas pertencentes a empresas petrolíferas verticalmente integradas operam perto do limite e processam volumes recordes de petróleo bruto. Refinarias independentes também elevaram a produção. Uma unidade regional quase dobrou sua taxa de utilização ao processar matéria-prima fornecida por clientes. Outra registrou aumento dos pedidos comerciais e prevê colocar novos equipamentos em operação em 2026, na terceira fase de sua expansão.

O analista de derivados Gennady Chernov afirmou que o adiamento ajuda a evitar uma queda acentuada da oferta durante o pico sazonal. A paralisação de apenas uma grande refinaria siberiana aumentaria a pressão sobre as redes de transporte e os estoques das regiões vizinhas, pois os volumes de substituição poderiam ter de percorrer longas distâncias.

Rússia Central registra menor produção de combustíveis

A situação da oferta é mais apertada na Rússia Central. A produção de gasolina e diesel caiu no primeiro semestre de 2026, com reduções particularmente intensas em maio e junho por causa de reparos não programados. Segundo a Pravda.ru, a menor produção, combinada com as dificuldades de transportar combustível de outras regiões, acelerou a alta dos preços nos mercados atacadista e varejista.

O desequilíbrio regional torna o calendário de manutenção especialmente importante. O adiamento na Sibéria não recupera a produção perdida na Rússia Central, mas reduz o risco de paradas simultâneas em vários grandes polos de refino. Os fornecedores também preservam mais capacidade operacional para atender regiões afetadas por reparos ou restrições de transporte.

As autoridades introduziram restrições destinadas a manter mais combustível dentro da Rússia. A Pravda.ru citou a proibição de exportações e os limites às vendas em bolsa como medidas emergenciais quando a capacidade produtiva não atende à demanda interna. O governo também pretende ampliar as importações de derivados, mas a reportagem não informou volumes, origens ou datas de implementação.

Sibéria tem mais de 50 milhões de toneladas de capacidade

A capacidade nominal combinada das grandes refinarias siberianas supera 50 milhões de toneladas por ano. Entre os principais ativos estão a refinaria de Omsk, com mais de 22 milhões de toneladas anuais, e o complexo petroquímico de Angarsk, com mais de 10 milhões. As refinarias de Achinsk e Tyumen têm capacidade nominal de 7,5 milhões de toneladas por ano cada uma.

O processamento efetivo pode ficar abaixo desses números. A refinaria de Tyumen processou 5,9 milhões de toneladas de petróleo bruto em 2025, diante de uma capacidade nominal de 7,5 milhões. A diferença mostra por que a capacidade instalada, isoladamente, não garante o abastecimento: manutenção, disponibilidade dos equipamentos, acesso à matéria-prima e logística determinam quanto combustível chega ao consumidor. Para produtores e operadores comerciais, o adiamento reduz no curto prazo o risco de um déficit sazonal mais profundo. As manutenções ainda terão de ocorrer no outono, podendo voltar a apertar o mercado caso várias unidades reduzam suas operações ao mesmo tempo.

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