Quotas de cobalto da RDC elevam risco de déficit global em 2026
O cobalto se recuperou depois de cair para cerca de 21.000 dólares por tonelada em fevereiro de 2025 devido ao excesso de oferta mundial. A RDC substituiu a suspensão das exportações por quotas que podem levar o mercado a um déficit em 2026.
Cobalto se recupera das mínimas de 2025
Os preços do cobalto registraram forte recuperação depois de cair para cerca de 21.000 dólares por tonelada em fevereiro de 2025, pressionados pelo excesso de oferta mundial, segundo a Agence Ecofin. A queda ocorreu após uma rápida expansão da produção mineral e atingiu os produtores, embora o metal continuasse importante para baterias de veículos elétricos e outras aplicações industriais.
A República Democrática do Congo, responsável por aproximadamente 75% da produção mundial de cobalto, respondeu suspendendo as exportações a partir de 22 de fevereiro. O material congolês deixou de chegar ao mercado internacional, enquanto os estoques se acumulavam nas mineradoras dentro do país. Segundo o Le Monde, o preço europeu do cobalto subiu depois mais de 70%, alcançando 17,50 dólares por libra em meados de março, antes de recuar para 16 dólares por libra no fim daquele mês.
As refinarias chinesas limitaram inicialmente a alta ao consumir seus estoques, informou o Le Monde. Mesmo assim, o episódio demonstrou a influência de Kinshasa sobre o mercado devido à sua posição dominante na oferta mineral.
Quotas substituem suspensão das exportações
Em 21 de setembro, a RDC anunciou a retomada das exportações sob um sistema de quotas. O regime permitiu a saída de 18.000 toneladas entre meados de outubro e o fim de 2025, seguida por limites anuais de 96.600 toneladas em 2026 e 2027, segundo o regulador nacional ARECOMS.
O teto anual inclui uma quota básica de 87.000 toneladas e uma reserva estratégica de 9.600 toneladas controlada pela ARECOMS. A Argus informou que o volume permitido em 2026 equivale a cerca de 49% das 199.000 toneladas de cobalto contido em hidróxido exportadas pela RDC no ano anterior. A Darton Commodities comparou o limite com a produção recorde de 220.000 toneladas registrada pelo país em 2024 e concluiu que menos da metade desse volume poderia ser exportada.
As restrições afetam, portanto, mais do que o calendário dos embarques. Elas limitam a quantidade de cobalto congolês que pode chegar formalmente a refinarias e compradores, além de fornecer ao governo um mecanismo para administrar a oferta após o fim da suspensão temporária.
Risco de déficit muda o poder de negociação
A Project Blue espera que o mercado passe de excedente para déficit depois da adoção das quotas, com a menor disponibilidade sustentando os preços no curto prazo. A empresa considera que as cotações podem superar 20 dólares por libra em 2026 e 2027. A projeção contrasta com avaliações anteriores que apontavam para o surgimento de um déficit duradouro apenas por volta de 2030.
A política cria pressões distintas na cadeia produtiva. Os produtores congoleses ganham com preços mais altos, mas enfrentam limites de venda e acúmulo de estoques. Refinarias e compradores de materiais para baterias precisam administrar uma disponibilidade menor, enquanto os comerciantes devem considerar a distribuição das quotas e os cronogramas de embarque. Os consumidores também podem acelerar a busca por fontes alternativas ou reduzir o uso de cobalto nas químicas de baterias.
As quotas ainda expuseram tensões entre Kinshasa e grandes operadores. A Reuters informou que a CMOC, maior produtora de cobalto da RDC por meio das minas Tenke Fungurume e Kisanfu, se opôs ao novo sistema. A posição revela o conflito entre um Estado que busca maior controle sobre os preços e empresas interessadas em comercializar volumes crescentes de produção.
Para a RDC, o teste será sustentar os preços sem acelerar a substituição do cobalto ou os investimentos em fontes concorrentes. Para as cadeias globais de baterias e veículos elétricos, o efeito imediato é mais claro: um mercado que iniciou 2025 com material excedente pode entrar em 2026 com muito menos cobalto congolês disponível.