Quénia pede ao Sudão que suspenda proibição do chá em meio a estoques retidos
O líder da oposição queniana Kalonzo Musyoka pediu ao Sudão que retire a proibição às importações de chá do Quénia, em vigor desde março de 2025. A medida interrompeu um mercado avaliado em cerca de US$70 milhões por ano e deixou no Quénia mercadoria preparada especificamente para compradores sudaneses.
Apelo procura recuperar um mercado importante
O líder da oposição queniana Kalonzo Musyoka pediu ao Sudão que suspenda a proibição ao chá do Quénia, aumentando a expectativa de que os embarques possam ser retomados após mais de um ano de interrupção. Musyoka apresentou o pedido durante uma visita à Embaixada do Sudão em Nairóbi, onde se reuniu com o embaixador Kamal Jabara Gubara e outros representantes.
Segundo o The Star, o Sudão impôs a restrição em março de 2025, depois da deterioração das relações diplomáticas entre os dois países. Musyoka afirmou que a medida causou perdas pesadas à indústria queniana de chá e aos agricultores. Ele classificou as conversas na embaixada como construtivas, mas não anunciou uma decisão formal, um calendário ou condições para a reabertura do mercado.
Proibição interrompeu comércio anual de US$70 milhões
De acordo com Musyoka, o Sudão figurava tradicionalmente entre os cinco maiores destinos do chá queniano. O país comprava cerca de 35 milhões de quilogramas por ano, avaliados em aproximadamente US$70 milhões, ou Sh9 bilhões. A perda desse destino agravou os desafios de um setor que já enfrentava oscilações nos preços internacionais, custos de produção crescentes e a necessidade de garantir mercados estáveis.
A exposição imediata também foi elevada. Quando o Sudão suspendeu as importações, havia mais de US$24 milhões, ou Sh3,1 bilhões, em chá já em trânsito ou aguardando embarque, afirmou Musyoka. A suspensão deixou 207 contentores de 40 pés retidos no porto de Mombaça, aumentando os custos e as perdas de comerciantes e exportadores.
Misturas destinadas ao Sudão continuam armazenadas
Mais de um ano após a entrada em vigor da proibição, o chá preparado para o Sudão permanece em armazéns quenianos. Musyoka disse que mais de 3,44 milhões de quilogramas, avaliados em mais de US$10,3 milhões, continuavam armazenados em Mombaça. O The Star também atribuiu a esse estoque o valor de Sh129 milhões, montante que difere substancialmente da avaliação indicada em dólares.
Redirecionar as cargas é difícil porque o chá foi misturado e embalado sob marcas específicas para o mercado sudanês, explicou Musyoka. Ao contrário de uma carga padronizada a granel, um produto acabado destinado a um mercado específico pode exigir nova embalagem ou processamento antes de ser aceito por outro comprador. O armazenamento prolongado também imobiliza o capital de giro dos exportadores e aumenta as despesas logísticas.
Acesso ao mercado determina a renda dos produtores
Musyoka relacionou o acúmulo de estoques às perdas dos exportadores, à queda dos preços nos leilões e à redução dos rendimentos dos produtores quenianos. Ele argumentou que o restabelecimento do acesso protegeria os meios de subsistência nas regiões produtoras, apoiaria os exportadores e preservaria os laços económicos entre o Quénia e o Sudão. O Quénia é um dos grandes exportadores mundiais de chá, produto que gera divisas e sustenta direta e indiretamente milhões de pessoas.
A reunião na embaixada abre um canal para novas negociações, mas as informações disponíveis não confirmam que o Sudão tenha concordado formalmente em encerrar a proibição. Para produtores e comerciantes, o avanço decisivo seria uma alteração oficial da política de importação, acompanhada de procedimentos viáveis para liberar o chá que já se encontra no porto e nos armazéns.