Queda da soja em Chicago trava negócios no Brasil durante avanço do plantio
Os futuros da soja em Chicago perderam mais de 30 pontos após o grão ficar fora de uma redução tarifária chinesa. A alta do dólar amortizou a queda no Brasil, mas a liquidez diminuiu enquanto produtores direcionavam a atenção ao plantio.
Decisão tarifária provoca forte queda dos futuros
Os futuros da soja caíram com força em Chicago na segunda-feira, 28 de setembro, depois que o grão ficou fora da lista de produtos agrícolas dos Estados Unidos que terão tarifas chinesas menores. Segundo o Notícias Agrícolas, o contrato de novembro de 2026 perdeu 30,75 pontos e fechou a US$ 12,88 por bushel, abaixo do importante patamar psicológico de US$ 13. Janeiro de 2027 recuou 29,50 pontos, para US$ 13,03; março caiu 27,50 pontos, para US$ 13,12; e maio de 2027, referência para a safra brasileira, terminou a US$ 13,19, com baixa de 26,50 pontos.
O SpaceMoney informou que o contrato de novembro recuou 2,33%, enquanto o farelo de soja para dezembro de 2026 caiu 3,12%, a US$ 359,40 por tonelada. O óleo de soja do mesmo vencimento perdeu 0,26%, para 67,66 centavos de dólar por libra-peso. O grão chegou a cair cerca de 3% durante o pregão, em meio ao desmonte de posições compradas.
A lista tarifária divulgada por Pequim e Washington incluiu milho, trigo, carnes e lácteos. O Notícias Agrícolas informou que ela também contemplou sorgo, óleo e farelo de soja, mas não o grão norte-americano, que continua sujeito à tarifa adicional de 10%. A exclusão frustrou operadores que esperavam novos acordos agrícolas após o encontro entre Donald Trump e Xi Jinping na semana anterior. Também não houve anúncio de compromisso adicional de compras.
Colheita e estoques ampliam a pressão de oferta
Vlamir Brandalizze, da Brandalizze Consulting, disse ao Notícias Agrícolas que o mercado voltou aos fundamentos sazonais: avanço da colheita dos Estados Unidos, entregas dos produtores e aumento da pressão de oferta. Segundo o USDA, 12% da área norte-americana de soja já havia sido colhida, ante 8% no ano anterior e uma média de cinco anos também de 8%.
Os operadores também ajustavam posições antes do relatório trimestral do USDA sobre os estoques de soja dos Estados Unidos, previsto para 30 de setembro. Analistas e corretoras esperavam 323 milhões de bushels em 1º de setembro, pouco abaixo dos 325 milhões de bushels registrados um ano antes. Em 1º de junho, os estoques somavam 1,061 bilhão de bushels.
A China pode manter espaço para negociar compras mais adiante e esperar preços menores, segundo Brandalizze. O Notícias Agrícolas afirmou que as informações disponíveis indicam compras de mais de 12 milhões de toneladas de soja norte-americana pela Sinograin e pela COFCO. O volume está próximo da metade do compromisso anual de 25 milhões de toneladas citado pela Casa Branca, embora Pequim não tenha confirmado publicamente essa meta.
Câmbio amortece perdas, mas liquidez desaparece
A queda em Chicago pressionou a maioria das cotações do mercado físico brasileiro e praticamente paralisou os negócios. O SpaceMoney citou o analista Rafael Silveira, da Safras & Mercado, segundo o qual poucas transações foram fechadas porque compradores e vendedores se afastaram do mercado. Os produtores também voltaram a atenção para o início do plantio da próxima safra.
Passo Fundo caiu para R$ 155,00 por saca e Santa Rosa, para R$ 156,00. Rio Verde registrou a maior baixa, chegando a R$ 145,00, enquanto Rondonópolis foi a única praça monitorada a subir, para R$ 148,00. Nos portos, Paranaguá ficou em R$ 161,00 e Rio Grande, em R$ 163,00. Segundo o Notícias Agrícolas, as indicações anteriores estavam próximas de R$ 162,00 para outubro e chegavam a R$ 165,00 para novembro e dezembro.
O dólar comercial avançou 0,78% e fechou a R$ 5,2256, após oscilar entre R$ 5,1915 e R$ 5,2266. A cotação acima de R$ 5,20, combinada com prêmios de exportação relativamente estáveis entre 120 e 140 pontos nos vencimentos próximos, limitou a queda dos preços da soja em reais. Mesmo assim, a escassez de ofertas e a falta de urgência dos compradores mantiveram a liquidez baixa, enquanto a colheita norte-americana e o plantio brasileiro reforçavam o poder de negociação da demanda.