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Queda dos estoques dos EUA e safra menor na Europa apertam mercado de milho

Os estoques finais de milho dos Estados Unidos são projetados em 1,653 bilhão de bushels em 2026/27, enquanto o consumo doméstico sobe para 16,33 bilhões. A safra menor na UE e no Reino Unido e os custos elevados no Brasil podem restringir ainda mais a disponibilidade mundial.

Queda dos estoques dos EUA e safra menor na Europa apertam mercado de milho

Consumo maior aperta o balanço dos Estados Unidos

O mercado mundial de milho entra na temporada 2026/27 com uma relação mais apertada entre oferta e demanda, segundo o Oleoscope. A redução projetada dos estoques nos Estados Unidos, a piora das perspectivas de safra na Europa e os altos custos de produção no Brasil podem diminuir a margem de segurança do mercado. Com isso, os preços ficam mais sensíveis a mudanças na produção, no consumo e na oferta exportável.

Os estoques finais de milho dos Estados Unidos para 2026/27 foram reduzidos para 1,653 bilhão de bushels. Ao mesmo tempo, o consumo doméstico aumentou para 16,33 bilhões de bushels. Depois de atendida a demanda norte-americana, restará menos estoque para absorver perdas climáticas ou altas inesperadas do consumo.

Os Estados Unidos são o maior produtor mundial de milho, e alterações em seu balanço afetam também o mercado externo. Um estoque de segurança menor pode ampliar o repasse das preocupações com a oferta norte-americana aos preços internacionais. Importadores, fabricantes de ração e processadores ficam, portanto, mais expostos à volatilidade na contratação de suprimentos, sobretudo se a disponibilidade exportável também cair em outras regiões produtoras.

Calor e falta de água reduzem a safra europeia

As perspectivas de produção na Europa pioraram depois que o calor e a falta de água prejudicaram o desenvolvimento das lavouras. A COCERAL estima que a safra conjunta de milho da União Europeia e do Reino Unido cairá para 52,7 milhões de toneladas, redução de 4,7 milhões de toneladas ante os 57,4 milhões de toneladas da temporada anterior.

A queda representa uma perda relevante de oferta regional. Os compradores poderão enfrentar maior concorrência pelo grão disponível ou buscar volumes alternativos com fornecedores externos. O impacto dependerá da demanda por ração, dos estoques e da qualidade do milho colhido, mas a projeção menor deixa a Europa com menos proteção contra novos problemas de produção.

Para pecuaristas e outros grandes consumidores de milho, a quebra europeia aumenta o risco de custos mais altos. Os traders também precisarão acompanhar as mudanças no padrão regional de compras. Se a demanda europeia migrar para milho importado, a disputa pela oferta dos principais exportadores poderá aumentar justamente quando o balanço norte-americano perde folga.

Custos brasileiros acrescentam outro risco

O Oleoscope também aponta os altos custos de produção no Brasil como um risco para o cenário mundial. A fonte não apresenta uma estimativa para a produção brasileira, mas custos elevados podem afetar decisões de plantio, margens e o preço pelo qual os agricultores aceitam vender. A capacidade do Brasil de compensar a menor oferta em outras regiões será, por isso, importante para os compradores globais.

O mercado já começou a incorporar um prêmio diante da possibilidade de redução dos embarques dos principais exportadores, informa o Oleoscope. Os números disponíveis não definem a dimensão de um déficit global, mas mostram que a margem de segurança está diminuindo. O clima nas grandes regiões produtoras, o consumo doméstico dos Estados Unidos e as decisões de venda dos exportadores terão mais influência sobre a formação dos preços em 2026/27. Os produtores podem se beneficiar de preços mais firmes, enquanto processadores, pecuaristas e compradores dependentes de importações enfrentarão riscos maiores de aquisição e proteção financeira.

Análise completa do mercado

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