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Propostas alemãs de bem-estar suíno podem elevar os custos da carne na UE

A Alemanha discute regras mais rigorosas para a suinocultura que podem ser propostas em toda a UE, incluindo mais espaço, materiais de enriquecimento e anestesia no corte da cauda dos leitões. O debate ocorre num momento de queda dos preços, do consumo e do número de produtores.

Propostas alemãs de bem-estar suíno podem elevar os custos da carne na UE

Bem-estar animal entra no debate sobre custos

As propostas em discussão na Alemanha estabeleceriam condições mais rigorosas para a criação de suínos e podem elevar os custos de produção num período de preços fracos. Segundo o jornal letão Neatkarīgā, as medidas incluem mais área por animal, materiais de enriquecimento ou “brinquedos” que permitam comportamentos naturais, restrições à imobilização das porcas durante o parto e anestesia no corte da cauda dos leitões.

O debate alemão pretende promover exigências semelhantes em toda a União Europeia, segundo o Neatkarīgā. A adoção comunitária impediria que as explorações alemãs arcassem sozinhas com os custos de conformidade enquanto concorrentes do mercado único operam sob padrões menos exigentes. A Espanha é a principal referência da comparação, com quase 35 milhões de suínos, ante 22 milhões na Alemanha. Os dois países estão entre os maiores produtores de carne suína da UE.

Preços caem na Letónia e na Alemanha

As novas exigências são discutidas num contexto de preços desfavorável. O preço da carcaça suína na Letónia foi de €159,63 por 100 quilogramas em junho, segundo dados do Departamento de Mercado e Apoio Direto do Ministério da Agricultura letão citados pelo Neatkarīgā. O valor ficou 12,6% abaixo de maio e 31,5% abaixo de junho de 2025. Por quilograma, correspondia a cerca de €1,60 pela carcaça antes do corte, dos custos de retalho e dos impostos.

Na Alemanha, o preço comparável era de €1,62 por quilograma, conforme informações recebidas pelo ministério letão, uma queda de 25,8% em relação a junho de 2025. O Neue Zürcher Zeitung informou separadamente um preço de €1,40 por quilograma quando a empresa alemã de genética suína Geestferkel apresentou um pedido de insolvência no final de julho; um leitão era vendido por €30. O material disponível não permite estabelecer se a diferença entre €1,62 e €1,40 decorre da data, de uma média de mercado ou de outra base de preços.

Queda da procura acelera a saída de produtores

O número de suinicultores na Alemanha caiu de cerca de 24.500 em 2016 para 14.700, segundo o Neue Zürcher Zeitung. Entre os problemas financeiros recentes estão a falência, em abril, da Porky, sediada na Saxónia-Anhalt, e o pedido de insolvência apresentado no final de julho pela Geestferkel, uma das empresas relevantes de genética suína do país. O diretor-geral da Geestferkel, Jörn Ahlers, afirmou que nenhuma empresa consegue sobreviver a longo prazo nessas condições.

A procura também enfraqueceu. A carne suína continua a ser a mais consumida na Alemanha e representa 52% do consumo total de carne, mas o consumo médio anual por pessoa caiu mais de 10 quilogramas desde 2010, para cerca de 28 quilogramas. No mesmo período, o consumo total alemão de carne suína diminuiu de 3,1 milhões para 2,4 milhões de toneladas. A menor procura restringe a capacidade dos produtores de transferir os custos adicionais de bem-estar ao longo da cadeia.

Regras europeias redistribuiriam o impacto

O efeito comercial de padrões mais rigorosos dependerá da formulação final, dos períodos de transição e da aplicação uniforme em toda a UE. Mais área reduz o número de animais nas instalações existentes, enquanto o enriquecimento, os novos sistemas de parto e a anestesia acrescentam custos de equipamento, mão de obra ou serviços veterinários. Regras comunitárias podem reduzir as diferenças entre produtores alemães e espanhóis, mas as explorações com pouco capital ou instalações antigas enfrentariam a maior pressão.

A Letónia mostra as possíveis consequências para mercados menores. O país tem cerca de 300.000 suínos, muito menos do que Espanha ou Alemanha, e a produção doméstica e as importações representam, cada uma, aproximadamente metade da oferta, segundo o Neatkarīgā. Se as normas se tornarem obrigatórias em toda a UE, os custos podem subir tanto para as explorações letãs como para os seus fornecedores europeus. Isso poderá sustentar preços mais altos no futuro, mas os produtores terão primeiro de financiar a adaptação enquanto os valores das carcaças continuam sob pressão.

Análise completa do mercado

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