Produtores venezuelanos alertam para importações em massa de milho, arroz e açúcar
Entidades agrícolas venezuelanas afirmam que 67.918 toneladas de milho amarelo, 27.499 toneladas de arroz em casca e 32.000 toneladas de açúcar refinado importados podem reduzir a demanda pela produção nacional. As cargas chegam antes da colheita do milho e da safra açucareira 2026-2027.
Cargas coincidem com as colheitas nacionais
Entidades agrícolas da Venezuela alertam que grandes carregamentos de milho amarelo, arroz em casca e açúcar refinado podem deslocar a produção nacional às vésperas de períodos decisivos de colheita e processamento. O Banca y Negocios informou que as cargas continuam chegando apesar dos recentes anúncios oficiais sobre a restrição das importações para proteger a produção interna.
Uma programação de navios da Bolivariana de Puertos, atualizada em 21 de agosto de 2026 e divulgada pelo dirigente agrícola Carlos Odoardo Albornoz, apresenta três grandes fluxos de mercadorias. O Princess Shad transportava 32.000 toneladas métricas de açúcar refinado; o Seastar Victory, 27.499 toneladas métricas de arroz em casca; e o UBC Sagunto, o Panoceanis e o UBC Tacoma somavam 67.918 toneladas métricas de milho amarelo.
O volume de milho provoca preocupação especial porque a colheita venezuelana está prestes a começar. O dirigente agrícola Fernando Camino Peñalver afirmou que a continuidade das entradas de matéria-prima importada pode deixar os produtores sem compradores neste ciclo. Segundo o veículo especializado Minuta Agropecuaria, Albornoz também argumentou que os volumes informados superam consideravelmente os registros de anos anteriores e podem impedir a absorção do milho nacional pelo mercado.
Setor açucareiro teme atraso no início de outubro
Associações de produtores de cana e prestadores de serviços agrícolas do estado de Portuguesa temem, por sua vez, que a importação de açúcar refinado desestimule a produção nacional e comprometa o início pontual da safra 2026-2027. A temporada deve começar em meados de outubro, com o início da moagem provisoriamente marcado para 15 de outubro.
Juan Maestre, gerente-geral da Soca-Portuguesa, informou que a organização concluiu 97,5% de seu programa de fertilização em quase 26.000 hectares. Para este ciclo, projeta uma colheita próxima de 1.809.000 toneladas de cana-de-açúcar. Os produtores já comprometeram, portanto, recursos importantes sem saber se o açúcar refinado importado reduzirá a demanda pelo produto processado localmente.
Froilán Márquez, representante da Asoseagro, declarou que um atraso afetaria mais de 1.000 trabalhadores diretos empregados no corte e no transporte durante a colheita. A cana destinada à Central Portuguesa pode ser adiada para a temporada seguinte se a janela operacional for perdida, sobretudo porque as previsões indicam a chegada antecipada do período chuvoso em 2027. Dos 28 núcleos operacionais da Asoseagro, alguns já concluíram totalmente a manutenção das máquinas, enquanto os demais apresentam entre 70% e 80% de prontidão operacional.
Governo revisa licenças de importação
O Ministério da Agricultura Produtiva e Terras sustenta que as importações agroalimentares têm caráter estritamente complementar. A pasta também informou que o governo está revisando a emissão de licenças de importação para proteger a produção nacional, inclusive a de açúcar refinado. A controvérsia agora se concentra em como conciliar essa política com as cargas já programadas para os portos venezuelanos e em saber se processadores e comerciantes terão capacidade para absorver o milho, o arroz e o açúcar nacionais juntamente com os volumes importados.