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Produtores de arroz do vale do rio Senegal marcham em Ross Béthio contra excesso de estoques e pedem saída do ministro

Produtores de arroz do vale do rio Senegal marcharam em Ross Béthio para protestar contra o excesso persistente de arroz encalhado e exigir a saída do ministro da Indústria e do Comércio, Serigne Guèye Diop. Eles estimam que cerca de 448.000 t de arroz branco, no valor próximo de 157 bilhões de francos CFA, estão sem venda, enquanto há cerca de 600.000 t de arroz importado no mercado.

Produtores de arroz do vale do rio Senegal marcham em Ross Béthio contra excesso de estoques e pedem saída do ministro

Produtores de arroz do vale do rio Senegal marcham em Ross Béthio

Produtores de arroz do vale do rio Senegal realizaram na segunda-feira uma marcha pacífica em Ross Béthio, na região de Saint-Louis, para protestar contra um excesso persistente de arroz encalhado e exigir a saída do ministro da Indústria e do Comércio, Serigne Guèye Diop, informou o seneweb.com. A manifestação foi organizada pelo Comitê interprofissional da cadeia do arroz (Comité interprofessionnel de la filière riz, Ciriz) e classificada como "comício agrícola", com o objetivo de alertar as autoridades para as dificuldades econômicas do setor.

Ousseynou Ndiaye, presidente de honra do Ciriz, afirmou que os produtores não protestavam por motivos políticos, mas pela sua sobrevivência. "Realizamos hoje um comício agrícola pela nossa sobrevivência. Há três campanhas enfrentamos uma situação de encalhe que coloca as explorações em grande dificuldade", declarou, segundo o seneweb.com. Os produtores responsabilizam o ministro pela situação.

Colheitas recordes sem compradores

Segundo Ndiaye, o vale registrou colheitas históricas nas últimas campanhas. Em 2025, a produção atingiu 303.000 t de arroz em casca, com rendimento médio de 6,7 t/ha, equivalentes a cerca de 187.000 t de arroz branco. A esse volume os produtores somam 142.000 t de arroz em casca da estação chuvosa de 2025-2026 (cerca de 85.000 t de arroz branco) e a entressafra em curso, prevista em 284.000 t de arroz em casca, ou seja, 176.000 t de arroz branco.

No total, os produtores estimam que cerca de 448.000 t de arroz branco, correspondentes a 729.000 t de arroz em casca, estão afetadas, com valor avaliado em quase 157 bilhões de francos CFA.

Estoques importados apontados como causa

Para os responsáveis do setor, a crise é agravada pela manutenção de grandes estoques de arroz importado no mercado senegalês. Eles lembram que em 12 de novembro de 2025 foi assinado com o Ministério do Comércio um convênio de comercialização para limitar as importações. Naquele momento, os estoques de arroz importado já somavam cerca de 600.000 t, perto de seis meses de consumo nacional. Segundo os produtores, as medidas previstas nunca foram aplicadas, permitindo que as importações continuassem enquanto as colheitas locais se acumulavam nas beneficiadoras e entre os produtores.

Ndiaye atribui a situação a uma má gestão do assunto pelo ministro Serigne Guèye Diop. Ele lembra que uma crise semelhante já havia ocorrido sob a presidência de Macky Sall, mas foi rapidamente resolvida graças às medidas do ex-ministro do Comércio, Alioune Sarr.

Consequências financeiras e reivindicações

Os produtores temem consequências pesadas para as próximas campanhas agrícolas. Sem liquidez, muitos exploradores já não conseguiriam pagar seus créditos bancários nem financiar as próximas semeaduras. Os prestadores de serviços agrícolas e as agroindústrias também correm o risco de serem afetados se os estoques atuais não forem escoados rapidamente.

O Ciriz apela a todos os atores do setor para unirem forças em defesa dos interesses comuns. Os produtores reivindicam uma audiência urgente com o presidente da República ou, na sua falta, com o primeiro-ministro, e exigem medidas imediatas para escoar o arroz branco retido nas beneficiadoras e o arroz em casca guardado pelos produtores. A mais longo prazo, desejam um ambiente favorável ao desenvolvimento sustentável da rizicultura, considerando o encalhe hoje o principal obstáculo à meta de soberania alimentar do Senegal.

Análise completa do mercado

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