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Produtor espanhol de citrinos alerta para diferença de custos laborais com o Egito

Segundo um produtor valenciano, a mão de obra agrícola custa €15-€16 por hora em Espanha, contra €5-€6 por um dia completo no Egito. O setor pede requisitos laborais, ambientais e fitossanitários equivalentes para os citrinos importados.

Produtor espanhol de citrinos alerta para diferença de custos laborais com o Egito

Custos laborais ampliam a diferença de produção

Os produtores espanhóis de citrinos alertam que a diferença de custos laborais em relação ao Egito está a prejudicar a sua capacidade de competir nos mercados nacional e europeu. O agricultor valenciano Juan Manuel Martínez disse ao Cultiva y Emprend que contratar um trabalhador rural custa ao produtor espanhol entre €15 e €16 por hora. Depois de impostos e contribuições para a segurança social, o trabalhador recebe cerca de €11 líquidos.

No Egito, segundo Martínez, um dia completo de trabalho custa entre €5 e €6. O El Blog Salmón calculou que a diferença relativa supera 20 para 1 e que o pagamento diário de um trabalhador agrícola egípcio equivale a menos de 20 minutos de custo laboral numa exploração mediterrânica espanhola. Martínez gere 60 hectares de citrinos e alfarrobeiras. Aos 33 anos, deixou um emprego urbano estável para trabalhar na agricultura sem recorrer a empréstimos bancários.

A comparação demonstra a pressão sobre a produção espanhola de laranjas, cuja colheita exige muita mão de obra e onde os produtores têm dificuldade em transferir os custos mais elevados para os restantes elos da cadeia. Martínez afirma que os fornecedores de fertilizantes e energia praticam preços elevados, enquanto as grandes redes de distribuição determinam o valor final pago pela fruta. A preferência dos consumidores pelo produto mais barato reduz ainda mais o poder negocial dos agricultores.

Produtores exigem normas equivalentes para as importações

Martínez defende que os produtos importados devem cumprir as mesmas regras laborais, ambientais e de segurança alimentar impostas aos agricultores da União Europeia. As explorações espanholas suportam o custo das restrições europeias às substâncias ativas utilizadas na proteção das culturas, enquanto o setor argumenta que as laranjas importadas podem ser produzidas segundo requisitos diferentes.

O agricultor afirmou que estão a chegar aos supermercados laranjas tratadas com substâncias classificadas como cancerígenas pela Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos. O El Blog Salmón apresentou a declaração como parte das críticas do produtor. Outros números citados pela publicação indicam alertas oficiais repetidos envolvendo carregamentos egípcios, embora abranjam produtos alimentares em geral e não demonstrem que todos os casos estavam relacionados com laranjas.

Alertas na fronteira e menor frequência de inspeção

Segundo a Associação Valenciana de Agricultores, AVA-ASAJA, com base nas notificações do Sistema de Alerta Rápido para os Géneros Alimentícios e Alimentos para Animais da UE, o Egito registou 180 interceções em 2024 e outras 131 em 2025 devido a substâncias não autorizadas ou excesso dos limites de resíduos. A fonte contabiliza 672 rejeições aduaneiras em portos europeus nos últimos cinco anos.

Entre as substâncias detetadas estavam o clorpirifos, um inseticida organofosforado proibido na Europa desde 2020 devido aos riscos neurotóxicos, e o clorprofame, um herbicida retirado em 2019. Em alguns carregamentos de laranjas, os níveis de clorprofame terão atingido até 21 vezes o limite legal permitido.

Ao mesmo tempo, o Regulamento de Execução (UE) 2024/286 da Comissão reduziu de 20% para 10% a frequência mínima de controlos físicos e recolha de amostras nas laranjas do Egito. As autoridades europeias alegaram que as inspeções mostravam uma melhoria do cumprimento. As organizações agrícolas contestam essa avaliação e afirmam que a redução dos controlos enfraquece a proteção dos produtores locais e mantém uma vantagem injusta para a fruta importada.

Cláusulas-espelho concentram o debate

O setor defende as chamadas cláusulas-espelho, que obrigariam as importações a cumprir requisitos equivalentes aos aplicados à produção europeia. Os seus defensores consideram que regras laborais, ambientais e fitossanitárias comuns reduziriam a diferença competitiva em relação a países terceiros. A Comissão Europeia sustenta que os controlos das importações devem respeitar as avaliações de risco e os compromissos comerciais internacionais.

Para as empresas espanholas do setor dos citrinos, a discussão vai além dos salários agrícolas. Também determina como os custos de conformidade, os controlos de resíduos e as práticas de compra são repartidos entre produtores, importadores e distribuidores. As organizações de produtores argumentam que, sem regras de produção mais comparáveis, as laranjas espanholas continuarão a competir com fruta sujeita a custos laborais e regulatórios consideravelmente inferiores.

Análise completa do mercado

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