Produção de vestuário nos EUA caiu 17% em 2025 com avanço das importações asiáticas
A produção de vestuário nos EUA caiu 17% em 2025 e a das fábricas têxteis 4%, enquanto as importações de 14 países asiáticos de baixo custo subiram 6%, ou 60 bilhões de dólares, segundo WWD e Kearney. O setor afirma que as tarifas isoladamente não trarão a produção de volta.
A indústria têxtil e de vestuário dos Estados Unidos continuou a encolher em 2025, apesar do aumento das tarifas de Washington sobre importações asiáticas, informa o Sourcing Journal (WWD), citando o Índice de Reshoring 2026 da Kearney e dados comerciais. Os executivos entrevistados afirmam que as tarifas isoladamente não trarão a produção de volta.
Produção cai e importações sobem
A produção total de bens manufaturados nos EUA recuou 0,4%, para 28 bilhões de dólares, mas as perdas se concentraram no setor que as tarifas deveriam proteger. A produção bruta de têxteis, tecidos e produtos de fábrica caiu 4%, enquanto o vestuário despencou 17%. No mesmo período, as importações combinadas de 14 países e regiões asiáticos de baixo custo, incluindo a China, cresceram 6%, ou 60 bilhões de dólares.
Patrick Van den Bossche, sócio da Kearney e autor do índice, disse que “muito pouca capacidade foi adicionada” na indústria americana, apesar de investimentos dos últimos quatro anos que triplicaram o nível de 2021. A utilização da capacidade caiu abaixo de 75%, afirmou ao Sourcing Journal.
Ásia amplia a vantagem
A Ásia respondeu por 72,6% do valor das importações de vestuário dos EUA em 2025, ante 71,6% no ano anterior, segundo pesquisa do professor Sheng Lu, da Universidade de Delaware, preparada para a U.S. Fashion Industry Association. Vietnã, Bangladesh, Indonésia, Índia e Camboja somaram juntos um recorde de 50,6% das importações, ante cerca de 37,1% antes da COVID-19. Segundo Lu, muitas empresas americanas diversificam as compras dentro da Ásia, em vez de deslocá-las para outras regiões, apoiadas pelo investimento chinês em polos emergentes como Camboja, Indonésia e Índia. Uma parcela recorde das empresas pesquisadas já compra de mais de 10 países, e quase 60% planejam ampliar ainda mais a lista de fornecedores.
Hemisfério ocidental perde espaço
A política comercial deveria favorecer fornecedores mais próximos, mas ocorreu o contrário. As importações de vestuário dos países do acordo DR-CAFTA caíram 6,7% em valor e 8,1% em quantidade no ano, segundo dados do Office of Textiles and Apparel. Já os volumes do Sudeste Asiático dispararam: Camboja 35,3%, Paquistão 15,4%, Indonésia 13,9%, Vietnã 12,9%, Bangladesh 12,4% e Índia 4,2% em quantidade.
Kim Glas, presidente-executiva do National Council of Textile Organizations (NCTO), afirmou que produtos chineses continuam chegando aos EUA via Sudeste Asiático, distorcendo o mercado com bens subsidiados abaixo do custo. Segundo ela, 40 fábricas têxteis americanas fecharam nos últimos dois anos e meio. A NCTO quer preservar os 453.122 empregos que o setor ainda sustenta; no ano passado, exportou fibras, tecidos e roupas no valor de 27 bilhões de dólares. Uma diferença tarifária de cerca de 10 pontos a favor do hemisfério ocidental não redirecionou os pedidos, observou.
Incerteza política pesa sobre as fábricas
O programa tarifário IEEPA, lançado no “Dia da Libertação” em abril de 2025, foi desde então desmontado, e o governo passou a recorrer a outras leis e abriu investigações sob a Seção 301. Bill Rogers, presidente-executivo da Mount Vernon Mills, na Carolina do Sul, contou que o primeiro anúncio provocou uma corrida por importações antes da entrada em vigor das tarifas, e que levou cerca de seis meses para esgotar esse estoque. Depois o negócio melhorou brevemente, mas os clientes ficaram hesitantes ao entrar em 2026. Rogers pediu uma política comercial “mais consolidada pela via legislativa”, em vez de definida por decreto.