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Produção russa de ração aquícola cresce 61,5%

A Rússia produziu 74.700 toneladas de ração para aquicultura no primeiro semestre de 2026, alta anual de 61,5%. O avanço da piscicultura e a menor oferta importada estimulam investimentos, mas ainda há déficit de ração para salmonídeos.

Produção russa de ração aquícola cresce 61,5%

Ração para peixes lidera crescimento do setor

A produção russa de ração composta para aquicultura atingiu 74.700 toneladas entre janeiro e junho de 2026, alta de 61,5% ante o mesmo período do ano anterior, informou o Kommersant, citando cálculos da Associação Russa da Indústria Pesqueira baseados em dados do Rosstat. A categoria registrou o maior crescimento entre todos os tipos de ração composta.

O desempenho contrasta com o restante do setor. A produção russa de todas as categorias de ração composta avançou apenas 0,8%, para 18,5 milhões de toneladas. Segundo a associação, a produção de ração aquícola cresceu a uma taxa média anual de 50,2% nos últimos cinco anos.

Capacidade pode dobrar com expansão da piscicultura

A Rússia possui atualmente 30 grandes fábricas, com capacidade conjunta de cerca de 200.000 toneladas. Os projetos em construção podem elevar esse total para 400.000 toneladas. A empresa aquícola Inarctica pretende concluir sua própria unidade para reduzir custos e obter maior flexibilidade nas formulações.

A expansão é sustentada pelo aumento da produção de peixes cultivados. A aquicultura russa produziu 393.300 toneladas em 2025, alta anual de 3,3%, segundo a associação pesqueira. Alexander Fomin, vice-presidente da Associação de Empresas Produtoras e Comerciais do Mercado de Peixes, apontou esse crescimento como um dos principais motores da demanda por ração.

Os piscicultores russos precisam atualmente de cerca de 180.000 toneladas de ração por ano, estima a associação. A produção nacional supriu 64,4% dessa necessidade em 2025. Lyubov Savkina, diretora-geral da Feedlot, estimou separadamente a autossuficiência em 82%, diferença que reflete metodologias e coberturas de mercado distintas.

Ração para salmonídeos segue como principal gargalo

As restrições às importações também aceleraram a produção local. Antes de fevereiro de 2022, a Europa fornecia a maior parte da ração, mas sanções e limitações logísticas dificultaram posteriormente as entregas, afirmou Fomin. Maria Smutnaya, cofundadora da Beluga Farm, acrescentou que diversas rações importadas agora estão impedidas de entrar na Rússia por exigência do Rosselkhoznadzor.

Fomin citou Turquia e Israel entre os fornecedores ainda presentes, enquanto Savkina também mencionou Cazaquistão, Belarus e China. Segundo a reportagem, esses países reduzem seus volumes e mantêm posições sobretudo em rações especializadas.

A Rússia substituiu totalmente as importações de ração para esturjões e carpas, afirmou German Zverev, presidente da associação pesqueira. Ainda existe déficit moderado para salmonídeos, cuja formulação é mais exigente. Carpas podem consumir grãos triturados ou subprodutos alimentícios, enquanto a ração para salmonídeos deve conter pelo menos 40% de proteína, principalmente de farinha de peixe.

A farinha de peixe tem baixa disponibilidade na Rússia, disse Smutnaya, dificultando a fabricação e afetando os preços. Por isso, a ração importada pode ser mais barata que a russa, cuja qualidade instável representa outro problema. Zverev sugeriu crédito subsidiado, subsídios para compras e financiamento direcionado a farinha e óleo de peixe e glúten. Savkina vê potencial significativo, mas alerta que a produção de ração não poderá crescer indefinidamente acima da aquicultura que abastece.

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