Produção russa de álcool etílico retificado cai 21%
A Rússia produziu 26,13 milhões de decalitros de álcool etílico retificado entre janeiro e agosto de 2026, queda anual de 21%. Em agosto, a produção recuou 61,17% diante da demanda menor, dos custos crescentes e da redução de estoques.
Queda acelera em agosto
A produção russa de álcool etílico retificado caiu 21% em termos anuais entre janeiro e agosto de 2026, para 26,13 milhões de decalitros, segundo dados do órgão regulador de álcool e tabaco divulgados pelo Kommersant. A contração ganhou força em agosto, quando a produção recuou 61,17% em relação ao mesmo mês de 2025, para 1,85 milhão de decalitros.
O álcool retificado é uma matéria-prima central para destilados, o que torna a queda relevante para destilarias e outros compradores industriais. A produção russa total de álcool etílico também diminuiu, mas em ritmo menor: houve retração anual de 17,12% nos oito meses, para 40,24 milhões de decalitros. Em agosto, o volume caiu quase 57%, para 3,04 milhões de decalitros.
Demanda e planos de produção enfraquecem
Владислав Резник, presidente da Soyuzkonyak e deputado da Duma Estatal, relacionou a queda à contração da produção de bebidas alcoólicas, que persiste há cerca de dois anos. Segundo o Kommersant, a produção total de álcool na Rússia diminuiu 7,2% em termos anuais entre janeiro e agosto de 2026. A demanda mais fraca dos consumidores foi um dos fatores que reduziram o engarrafamento.
Алевтина Хасанова, vice-presidente da D.I.S.T. Spirits, dona das marcas Nerpa, «Побеda» e «Байкал», afirmou que a queda mais intensa do álcool retificado refletiu compras menores e revisões dos planos industriais. O aumento dos impostos especiais e dos preços mínimos de varejo acrescenta pressão, assim como o financiamento caro e a decisão das empresas de não imobilizar capital de giro em estoques.
Pagamento antecipado limita compras
O especialista no mercado de bebidas alcoólicas Сергей Гладыщук também atribuiu o recuo ao aumento dos custos financeiros. As empresas passaram a comprar a maior parte das matérias-primas mediante pagamento antecipado, afirmou, o que restringe a aquisição de grandes volumes. Juros elevados tornam a produção antecipada e o armazenamento prolongado menos atraentes, levando a cortes nas encomendas e nos estoques.
Esse ajuste ajuda a explicar por que a produção de álcool retificado cai mais rapidamente que a de bebidas prontas. As empresas podem manter o engarrafamento usando reservas acumuladas anteriormente enquanto encomendam menos matéria-prima nova. Mesmo quando as entregas futuras são acertadas com antecedência, o custo do financiamento reduz o incentivo para manter grandes reservas.
Estoques anteriores amortecem o mercado
As decisões de estoque tomadas em 2025 também afetam a comparação atual. Os aumentos dos impostos especiais e dos preços mínimos de varejo levaram distribuidores e varejistas a acumular produtos antes do Ano-Novo. À medida que esses estoques foram vendidos, os fabricantes elevaram gradualmente o engarrafamento, criando uma diferença entre a produção atual de álcool retificado e a de bebidas acabadas.
A queda de agosto, portanto, não indica automaticamente uma escassez imediata de matéria-prima. O Kommersant publicou a avaliação de um especialista segundo a qual a redução temporária não criava riscos graves de interrupção para os fabricantes de bebidas alcoólicas. No curto prazo, o principal fator é a disciplina de estoques: as destilarias ajustam as compras à demanda fraca e reduzem os custos financeiros. Se o consumo continuar deprimido, os produtores de álcool retificado enfrentarão menos encomendas mesmo sem restrições físicas de oferta.