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NEFT Research prevê queda da procura global de carvão térmico em 2027-2028

O consumo mundial de carvão térmico deverá cair em 2027-2028 devido ao excesso de oferta, disse à TASS Alexander Kotov, sócio da NEFT Research. A previsão segue-se a um 2026 volátil, marcado por problemas na China, Colômbia e África do Sul, controlos indonésios às exportações e custos marítimos mais altos.

NEFT Research prevê queda da procura global de carvão térmico em 2027-2028

Mercado pode passar a excedentário após a volatilidade de 2026

O consumo mundial de carvão térmico deverá cair nos próximos dois anos, pressionado por uma oferta abundante de combustível sólido, disse à TASS Alexander Kotov, sócio de consultoria da NEFT Research. A previsão aponta para um arrefecimento cíclico do mercado mundial em 2027-2028, depois do regresso da volatilidade dos preços em 2026.

As cotações globais da energia subiram no segundo trimestre de 2026 devido à continuação do conflito no Médio Oriente. Segundo Kotov, a crise não provocou escassez de combustível sólido, mas afetou indiretamente o carvão ao encarecer a logística marítima. Esse apoio coincidiu com várias interrupções de oferta em importantes países produtores e exportadores.

Restrições chinesas e falhas nas exportações elevaram os preços asiáticos

Os preços do carvão também avançaram depois de a China limitar a produção após um acidente na mina Liushengyu e realizar inspeções de segurança. Interrupções no fornecimento da Colômbia e da África do Sul aumentaram a pressão. Desde 1 de junho, o Governo da Indonésia controla o volume de carvão exportado, acrescentando uma restrição a um mercado muito dependente dos fluxos marítimos.

Kotov afirmou que esses fatores devolveram a volatilidade ao mercado asiático. O desequilíbrio resultante provocou uma subida acentuada das cotações do carvão térmico na Ásia, que superaram os níveis registados dois anos antes. A previsão para 2027-2028 pressupõe que as condições que sustentaram os preços em 2026 perderão força gradualmente.

Produção chinesa e fluxos indonésios determinarão a oferta

A NEFT Research espera que surja um excedente depois de a produção interna chinesa estabilizar e os fluxos de exportação da Indonésia se adaptarem aos novos mecanismos regulatórios. A maior disponibilidade reduzirá o apoio que as limitações temporárias de produção e os problemas logísticos deram aos preços. Na Europa, a procura de carvão térmico deverá continuar a cair à medida que entram em operação novas capacidades de energia renovável.

A perspetiva é particularmente relevante para os fornecedores russos que concorrem com carvão da Indonésia e da Austrália. Kotov disse que o carvão térmico russo continua a receber apoio do conflito no Médio Oriente e dos custos mais altos do gás natural. Na Ásia, porém, o equilíbrio depende da elevada sensibilidade aos preços da China, Índia e Coreia do Sul, além da atual necessidade desses países de formar reservas preventivas.

Turquia sustenta a rota ocidental das vendas russas

A Turquia continua a ser o principal consumidor de carvão na rota ocidental de vendas da Rússia, segundo Kotov. A subida dos preços do gás natural levou o país a aumentar o consumo de combustível sólido russo. Essa procura oferece apoio enquanto o mercado europeu mais amplo reduz a utilização de carvão.

A previsão distingue, portanto, o apoio de curto prazo aos preços da tendência de consumo a médio prazo. As interrupções, os controlos às exportações e o transporte caro elevaram as cotações em 2026, mas a normalização da produção chinesa e dos fluxos indonésios deixaria mais carvão disponível em 2027-2028. Produtores e exportadores enfrentarão concorrência mais intensa, com os grandes compradores asiáticos ainda muito sensíveis aos preços.

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