Prémio elétrico de Itália face a França, Espanha e Alemanha supera 65 € por MWh
O preço grossista da eletricidade em Itália superou em mais de 65 € por MWh os valores de França, Espanha e Alemanha até setembro de 2026, segundo uma análise da Confcommercio e da Cer citada pelo Il Giornale. A elevada dependência do gás e o aumento de impostos e encargos pressionam a competitividade das empresas italianas.
A desvantagem energética italiana aumenta
Os consumidores e as empresas italianas estão a pagar um prémio energético crescente face aos seus pares em França, Espanha e Alemanha. Um relatório sobre os custos energéticos de Itália, elaborado pela Confcommercio e pela Cer e citado pelo Il Giornale, indica que a diferença no preço grossista da eletricidade superou 65 € por MWh perante os três grandes mercados europeus até setembro de 2026.
O prémio atingiu 69,4 € por MWh face a França, 67,2 € face a Espanha e 65,3 € face à Alemanha. A diferença aumentou fortemente desde 2019, quando Itália pagava mais 7,6 € do que Espanha e mais 15,9 € do que a Alemanha. Em 2025, as diferenças já tinham subido para 58,6 € face a Espanha e 32,1 € face à Alemanha. Estes valores afetam diretamente fabricantes intensivos em energia, retalhistas, hotéis, restaurantes e outras empresas cujas margens dependem dos custos da eletricidade e do aquecimento.
O gás determina o preço italiano
A principal causa é a maior dependência italiana da geração elétrica a gás. As centrais a gás forneceram 43,7% da eletricidade de Itália em 2025, contra 18,2% em Espanha, 17,6% na Alemanha e apenas 3,2% em França, segundo a Confcommercio e a Cer. França beneficia de um grande parque nuclear, enquanto os outros mercados também apresentam uma matriz menos dependente do gás. As energias renováveis estão a crescer em Itália e representam cerca de 50%, mas ainda não eliminaram a exposição do país ao preço do gás.
Essa dependência liga estreitamente o preço grossista italiano, conhecido como Pun, às oscilações do mercado europeu de gás TTF. O relatório afirma que o gás TTF estava 161,2% mais caro do que um ano antes, enquanto o petróleo tinha subido 62,6%. Os preços italianos de importação de produtos energéticos aumentaram 109,5% em setembro face a setembro de 2025. O Il Giornale também relata que o Pun estava 73,3% acima da média de 2025 citada e 271% acima do nível pré-Covid de 2019, embora a fonte não esclareça o critério da comparação com a média de 2025.
Impostos agravam a perda de competitividade
Os impostos e outros encargos regulados reforçaram a desvantagem relacionada com os combustíveis. Entre 2021 e 2025, o seu peso aumentou 33,9% em Itália, enquanto caiu 11,7% em Espanha e 22,6% na Alemanha. Os clientes italianos enfrentam, assim, maior exposição à volatilidade do mercado de gás e uma componente fiscal menos favorável nas faturas.
Só para as empresas de serviços de mercado, incluindo bares e restaurantes, a análise estima mais de 1.000 milhões de euros em despesas adicionais no segundo trimestre. Reduções fiscais e incentivos podem atenuar o impacto no curto prazo, mas não alteram a matriz de geração. Para reduzir o prémio, Itália terá de diminuir o papel do gás na formação dos preços, expandindo fontes alternativas e reforçando o sistema energético. Até lá, tensões geopolíticas e aumentos do TTF deverão repercutir-se com mais força nos custos elétricos italianos, enfraquecendo a competitividade de produtores e empresas de serviços.