Preços do trigo e da cevada caem na Rússia com nova safra e gargalos de exportação
Os preços russos de compra do trigo caíram entre 1,3% e 2,3% de 20 a 26 de julho, enquanto a cevada recuou 6,5%, segundo dados da SovEcon citados pelo Mail.ru. A entrada da nova safra e as restrições de navegação no canal Azov-Don ampliam a pressão sobre o mercado interno.
Nova safra pressiona os preços de compra
Os preços de compra dos grãos russos entraram em um ciclo de queda, pois os volumes recém-colhidos chegam ao mercado enquanto a logística de exportação não consegue absorver o aumento da oferta. Documentos da consultoria agrícola SovEcon citados pelo Mail.ru mostram recuos nas principais categorias de trigo e na cevada durante a semana de 20 a 26 de julho.
O trigo de terceira classe caiu 1,3% na semana, para 12.950 rublos por tonelada. O de quarta classe recuou 2,3%, para 12.600 rublos, e o de quinta classe perdeu 2%, para 11.080 rublos por tonelada. A cevada registrou a maior baixa semanal, de 6,5%, para 10.780 rublos por tonelada. O girassol também ficou 2,1% mais barato, a 40.200 rublos por tonelada.
Queda anual se aproxima de 13%
O recuo também é expressivo na comparação anual. Os preços de compra do trigo ficaram 8,6% a 8,9% abaixo do nível de um ano antes. Segundo dados da KSM citados pelo Mail.ru, o preço de exportação do trigo no porto de Novorossiysk era de 15.100 rublos por tonelada em 24 de julho, queda anual de 9,6%. A cevada recuou 12,2%, para 13.000 rublos por tonelada.
A Business FM estimou a redução anual mais ampla dos preços dos principais grãos em cerca de 9% a 13% em relação a 2025. A diferença entre os preços internos e portuários evidencia os custos e as limitações de capacidade que separam as propriedades rurais da demanda externa. A pressão é particularmente forte durante a colheita, quando os produtores precisam de espaço de armazenagem e capital de giro e nem sempre podem adiar as vendas.
Restrições na rota de Azov desaceleram embarques
A SovEcon associou a tendência ao aumento da oferta da nova safra e às interrupções nos portos do mar de Azov. Desde 10 de julho, exportadores russos enfrentam restrições de navegação no canal Azov-Don após ataques com drones. O Mail.ru informou que a rota respondia por 25% de todas as exportações russas de grãos, enquanto a Business FM afirmou que o mar de Azov movimentava até um terço das exportações russas de trigo.
Parte das cargas está sendo redirecionada para portos do mar Negro e do noroeste da Rússia, mas a capacidade é limitada durante a alta temporada. O especialista agrícola Nikolai Lychev disse à Business FM que a colheita chegou mais tarde neste ano por causa das chuvas e de outras precipitações, com grandes volumes começando a entrar no mercado nos primeiros dez dias de julho. Ele também apontou o aumento de salários, impostos e outros custos logísticos para exportadores e produtores rurais como uma fonte adicional de pressão.
Perspectiva de exportação depende da logística
Lychev afirmou que a Rússia poderia recuperar o atraso nas exportações caso as tensões diminuam, graças à qualidade de seus canais logísticos. Alternativas pelo mar Cáspio ou pelo noroeste russo poderiam aliviar parcialmente o problema. A continuidade das interrupções, porém, poderia impedir Rússia e Ucrânia de cumprir seus planos de exportação de grãos e óleos vegetais na temporada 2026–2027.
Analistas citados pela Business FM preveem que as exportações russas de grãos podem cair quase 20% no segundo semestre e que os preços internos continuarão recuando no curto prazo. Isso cria uma divergência em relação ao mercado internacional: Lychev afirmou que o trigo mundial começou a subir diante dos acontecimentos envolvendo o Irã e do conflito entre Rússia e Ucrânia. Para agricultores e exportadores russos, os menores preços domésticos combinados aos custos logísticos mais altos ameaçam as margens depois de três temporadas de redução dos ganhos e esgotamento das reservas financeiras.