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Preços dos alimentos atingem máxima de três anos com a guerra no Irã nas cadeias de suprimentos

Os preços mundiais das commodities alimentares subiram em abril ao maior nível em mais de três anos, alta de 1,6% no mês, enquanto a guerra no Irã fechou o Estreito de Ormuz e apertou diesel e fertilizantes. Pesquisadores da Universidade Purdue alertam que o choque energético, amplo, defasado e persistente, pode acrescentar de 3 a 6 pontos à inflação de alimentos em 12 a 18 meses.

Preços dos alimentos atingem máxima de três anos com a guerra no Irã nas cadeias de suprimentos

Preços dos alimentos atingem máxima de três anos com a guerra no Irã nas cadeias de suprimentos

Os preços mundiais das commodities alimentares subiram em abril ao maior nível em mais de três anos, à medida que a guerra no Irã perturbava os fluxos de energia e os insumos essenciais da produção moderna de alimentos. Segundo relatório de 8 de maio da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) citado pela Transport Topics, seu índice de preços dos alimentos subiu 1,6% em relação a março, a terceira alta mensal consecutiva. O índice ficou 2,5% acima do nível de um ano antes.

A alta foi liderada por óleos vegetais, carne e cereais. O subíndice de óleos vegetais da FAO saltou 5,9% ante março, ao maior nível desde julho de 2022, impulsionado por maior demanda de biocombustíveis com a alta do petróleo. O índice da carne ganhou 1,2%, em recorde histórico, enquanto o de cereais avançou 0,8% por preocupações climáticas e expectativas de menor plantio de trigo em 2026, com os agricultores considerando culturas menos intensivas em fertilizantes.

O choque é impulsionado pela energia, não pelas safras

A guerra, já na 10ª semana, fechou na prática o Estreito de Ormuz, apertando os fluxos de diesel e fertilizantes e empurrando o petróleo para US$ 110 por barril. Os pesquisadores da Universidade Purdue destacam que isso diferencia o episódio atual de uma seca ou doença de lavoura: o choque nasce nos mercados de energia e atinge ao mesmo tempo cada elo da cadeia alimentar — transporte, embalagem, processamento, refrigeração e varejo.

Essa amplitude retira do consumidor a defesa habitual. Quando a carne bovina encarece, o comprador troca por frango; quando a energia encarece, não existe um alimento acessível "sem energia". O diesel move cada caminhão, a petroquímica faz a embalagem, e um petróleo mais caro puxa o milho para o etanol e os óleos vegetais para o biodiesel, apertando a oferta para uso alimentar. Um estudo sobre 36 economias da OCDE citado pela Purdue conclui que a inflação de energia influencia de forma estatisticamente significativa a inflação de alimentos — tanto mais forte quanto maior a dependência energética de um país.

Um repasse defasado, mas persistente

O canal dos custos agrícolas por si só não eleva automaticamente a conta do supermercado. A Purdue observa que, em 2023, a fatia do produtor foi de apenas 15,9 centavos de cada dólar gasto pelo consumidor com alimentos, subindo para cerca de 24 centavos no consumo em casa e caindo para 5,4 centavos nas refeições em restaurante. Uma alta de 20% nos custos das commodities agrícolas elevaria os preços no varejo em cerca de 4 a 5% e os de restaurante em torno de 1%.

O problema maior é o tempo. Cadeias longas e contratos a prazo fazem com que os choques de custo levem de três a seis meses para chegar às prateleiras, e até doze meses para commodities estocadas, como grãos e enlatados. Uma vez incorporados, os preços de varejo caem lentamente mesmo depois de aliviado o custo. A Purdue estima que um choque energético sustentado dessa magnitude poderia acrescentar de 3 a 6 pontos percentuais à inflação de alimentos consumidos em casa em 12 a 18 meses; um conflito resolvido rápido deixaria marca bem menor.

O que importadores e exportadores enfrentam

O economista-chefe da FAO, Máximo Torero, disse que a indústria agroalimentar está "resiliente por ora, porque está vendendo o que já produziu", mas alertou que isso "vai mudar muito rápido à medida que os custos de commodities e energia forem transmitidos". Se a guerra chegar ao dia 90, afirmou, o risco de uma crise alimentar sobe de forma significativa no fim de 2026 e em 2027.

Para importadores e exportadores, o sinal de curto prazo está nos óleos vegetais e cereais, onde as altas já são visíveis e a demanda por biocombustíveis compete diretamente com o uso alimentar. O peso recai com mais força sobre as famílias de menor renda, que gastam parcela maior da renda com alimentos, e sobre os países importadores dependentes de energia, os menos capazes de absorver uma inflação alimentar generalizada. O IFPRI perguntou separadamente se a crise iraniana provocará nova rodada de picos de preços — pergunta que os dados de abril começam a responder.

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