Preço de exportação do carvão russo no Báltico atinge 89 dólares por tonelada, máxima em três anos
O carvão térmico russo FOB Báltico chegou a 89 dólares por tonelada em 25 de setembro, o nível mais alto desde abril de 2023. A cotação subiu 13% em setembro e 31% desde o início de 2026. A demanda turca, as compras chinesas e o encarecimento do frete sustentam o movimento; o netback do carvão do Kuzbass pelo Báltico subiu para 3.795 rublos por tonelada.
O preço de exportação do carvão térmico russo nos portos do Báltico subiu para 89 dólares por tonelada em 25 de setembro, o nível mais alto em mais de três anos, segundo dados do Centro de Índices de Preços (CIP) consultados pelo jornal Vedomosti. A avaliação se refere a carvão com poder calorífico de 6.000 kcal/kg em condições FOB Báltico; a cotação não superava essa marca desde abril de 2023.
A alta se concentrou em poucas semanas. Somente em setembro o preço avançou 13%, e 31% desde o início de 2026, informou o Vedomosti. Outras bacias exportadoras russas tiveram comportamento distinto: no porto de Taman, o carvão de mesmo poder calorífico foi avaliado em cerca de 85 dólares por tonelada em setembro, enquanto no Extremo Oriente os preços subiram 5%, para 116 dólares por tonelada.
Demanda turca e referências globais
O CIP aponta a forte demanda turca como uma das principais razões da alta, com as compras chinesas e o risco de redução da oferta indonésia dando suporte adicional. O mercado turco se reprecificou mais rápido que qualquer outra referência citada: segundo a NEFT Research, os preços lá subiram 43,5% desde o início do ano, chegando a 137 dólares por tonelada CIF no fim de setembro.
O movimento ocorre dentro de uma alta mais ampla do carvão térmico marítimo. Dados da ICE mostram o FOB Newcastle, principal referência para compradores asiáticos, com valorização de 36% no ano, a 146,5 dólares por tonelada no fim de setembro. O carvão entregue em Amsterdã, Roterdã e Antuérpia subiu 47% no mesmo período, para 142,2 dólares por tonelada. Nessa comparação, o material russo do Báltico ainda é negociado com amplo desconto frente às referências europeia e asiática.
Desvio de cargas enche os terminais bálticos
O segundo fator é a logística. As dificuldades de navegação nos mares de Azov e Negro deslocaram parte do fluxo exportador dos terminais do sul da Rússia para portos da bacia do Báltico. Dados da Mortsentr mostram que a transferência de carvão e coque nos terminais marítimos do Báltico cresceu 41% na comparação anual em agosto, para 4,6 milhões de toneladas, 10% acima de julho.
Custos de frete e netbacks
O maior volume vem acompanhado de custos de transporte mais altos. O CIP calcula que as taxas de frete de graneleiros para carvão no Báltico estavam 15% acima do ano anterior em setembro. No fim de setembro, o frete de um navio Panamax saindo de Ust-Luga era cotado a 60,5 dólares por tonelada para portos chineses, 53,5 dólares por tonelada para o oeste da Índia e 33,5 dólares por tonelada para Iskenderun, na Turquia: o trajeto curto até a Turquia é, de longe, a rota mais barata da bacia.
Apesar do frete mais caro, o preço de exportação maior melhorou a economia dos embarques. A NEFT Research calculou o netback do carvão do Kuzbass exportado pelos portos bálticos em 3.795 rublos por tonelada no fim de setembro, contra 2.906 rublos em agosto. O CIP estimou que o netback do carvão do Kuzbass pelo Báltico subiu cerca de 20% no mês. Analistas citados pelo Vedomosti observam que a melhora de margem se concentra por ora na direção ocidental, e a atribuem em parte a um déficit de oferta que persiste mesmo com o aumento dos embarques.
Até onde a alta pode ir
A trajetória dos preços dependerá da demanda global, da situação dos mercados de energia e da capacidade dos exportadores russos de redistribuir cargas entre os portos. Alexander Kotov, sócio da NEFT Research, afirmou que o preço do carvão russo nos portos bálticos pode chegar a 100 dólares por tonelada se as condições seguirem favoráveis. Yegor Vershinin, analista do grupo financeiro Finam, considera esse nível alcançável apenas com uma contração prolongada da oferta mundial.
O crescimento de volume pelo Noroeste é limitado pela capacidade da infraestrutura ferroviária. Por isso, analistas esperam que preços mais altos redistribuam os fluxos de exportação entre portos russos, em vez de elevar fortemente o volume total exportado. A base da região é baixa: segundo o CIP, as exportações de carvão pelos portos do Noroeste caíram 18% em 2025, para 40 milhões de toneladas, enquanto a exportação total de carvão russo cresceu 7%, para 211,2 milhões de toneladas, de acordo com o Ministério da Energia.