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Polónia mantém embargo à colza ucraniana apesar da falta de matéria-prima nas fábricas

A Polónia mantém o embargo à colza ucraniana, embora os processadores nacionais possam enfrentar um défice de até 1,3 milhões de toneladas. O óleo e o bagaço ucranianos, a energia cara e a pressão do retalho estão a reduzir as margens de esmagamento.

Polónia mantém embargo à colza ucraniana apesar da falta de matéria-prima nas fábricas

A capacidade de processamento supera a oferta nacional

A indústria polaca de oleaginosas enfrenta uma escassez crescente de colza enquanto o governo mantém as restrições às importações provenientes da Ucrânia. Segundo o Farmer.pl, a Polónia é o terceiro maior produtor de colza da União Europeia, atrás de França e Alemanha, e representa cerca de 20% da produção do bloco. A redução da área cultivada e da colheita prevista pode, contudo, enfraquecer essa posição.

As fábricas polacas podem processar mais de 4,1 milhões de toneladas de oleaginosas por ano, de acordo com dados da associação polaca de produtores de óleo PSPO citados pelo Portal Spożywczy e pelo Farmer.pl. A colheita de colza de 2025 foi de aproximadamente 3,6 milhões de toneladas, insuficiente para utilizar toda a capacidade instalada. O setor reúne mais de uma dezena de grandes unidades, que processam em conjunto mais de 3,6 milhões de toneladas de matéria-prima, mas poderiam superar 4 milhões de toneladas.

A diferença pode aumentar com a colheita atual. Dados preliminares da Agência para a Reestruturação e Modernização da Agricultura situam a área de colza em cerca de 1 milhão de hectares, menos 93 mil hectares do que no ano anterior. As organizações do setor preveem uma produção entre 2,8 e 3,2 milhões de toneladas. Isso poderia criar um défice de matéria-prima de até 1,3 milhões de toneladas para os processadores nacionais.

O embargo protege agricultores, mas limita as fábricas

A indústria pede uma revisão da proibição de importar colza ucraniana, em vigor desde abril de 2023. O ministro da Agricultura, Stefan Krajewski, afirmou que o embargo será mantido, porque a prioridade é escoar as colheitas dos agricultores polacos. A medida bloqueia a semente ucraniana, mas não abrange produtos processados como óleo e bagaço de colza.

Os processadores consideram que essa distinção prejudica as fábricas polacas. Segundo o Farmer.pl, a Ucrânia está a aumentar a sua capacidade de esmagamento e a exportar produtos acabados para a UE. Assim, a escassez na Polónia e noutros mercados europeus pode ser suprida por óleo e bagaço ucranianos, em vez de sementes importadas para processamento dentro da Polónia. Adam Stępień, diretor-geral da PSPO, disse à Newseria que as diferenças nos custos de processamento e energia deixam os operadores polacos numa posição competitiva frágil.

As restrições também criam interesses opostos na cadeia de abastecimento nacional. O embargo protege os agricultores polacos da concorrência direta da semente ucraniana, enquanto as fábricas precisam de matéria-prima adicional para elevar a utilização dos equipamentos. As organizações setoriais alertam que a Polónia pode cair do terceiro para o quarto lugar entre os produtores de colza da UE. A Roménia pode ultrapassá-la graças ao crescimento da área cultivada e a previsões de produtividade mais favoráveis.

Preço da semente, retalho e energia comprimem as margens

A disponibilidade de matéria-prima é apenas uma parte do problema de rentabilidade. O preço médio de compra da colza na Polónia atingiu 2.318,84 zlótis por tonelada no início de julho, mais 3,7% do que no mês anterior e 1,8% acima do nível de um ano antes, segundo os dados agrícolas citados pelas duas publicações. As margens diminuem quando o preço do óleo acabado não acompanha o custo da semente. As promoções frequentes de óleo de colza pelas cadeias de retalho acrescentam pressão.

Os biocombustíveis constituem o maior mercado potencial, mas a regulamentação limita o seu crescimento. A Polónia utiliza mais de 1 milhão de toneladas de óleo de colza para biocombustíveis, o equivalente ao processamento de quase 2,5 milhões de toneladas de sementes. As regras RED II da UE limitam o contributo dos biocombustíveis produzidos com culturas alimentares e forrageiras para as metas de energia renovável nos transportes. O mercado alimentar nacional também está maduro: consome entre 1 e 1,2 milhões de toneladas de colza por ano, equivalentes a cerca de 400 mil toneladas de óleo, sem crescimento sustentado.

A PSPO pede, por isso, que os processadores de oleaginosas sejam incluídos no sistema de compensação para empresas intensivas em energia. Esse apoio já abrange algumas indústrias polacas expostas a preços elevados da eletricidade e aos custos indiretos do regime europeu de comércio de emissões. Sem mais matéria-prima, menores despesas energéticas ou alterações regulatórias, o setor considera que as fábricas polacas continuarão a perder quota para processadores estrangeiros, apesar de manterem uma capacidade considerável sem utilização.

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