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Importações polacas de carvão térmico sobem 168% enquanto minas elevam produção

A Polónia importou 3,06 milhões de toneladas de carvão térmico no primeiro semestre de 2026, mais 168% do que no ano anterior. O aumento, liderado pelo Cazaquistão e pela Colômbia, ocorre em paralelo com a maior produção das minas nacionais e pode pressionar os stocks e os produtores locais.

Importações polacas de carvão térmico sobem 168% enquanto minas elevam produção

Importações atingem 3,06 milhões de toneladas

As importações polacas de carvão térmico cresceram 168% no primeiro semestre de 2026, apesar de as minas nacionais também terem aumentado a produção. Os importadores introduziram 3,06 milhões de toneladas no país durante os seis meses, segundo dados da Agência de Desenvolvimento Industrial publicados pelo Gazeta Wyborcza e citados pelo WNP.

Em julho de 2026, a Polónia já tinha importado quase tanto carvão como em todo o ano de 2024. O Gazeta Wyborcza afirmou que, se o ritmo atual continuar — cenário considerado muito provável pelo jornal —, as importações anuais alcançarão o nível mais elevado dos últimos anos. O recorde anterior foi registado em 2022, quando a perturbação do mercado energético reforçou a procura de fontes alternativas de carvão.

Cazaquistão e Colômbia lideram o fornecimento

O Cazaquistão respondeu por mais de metade das importações polacas de carvão térmico em 2026. A Polónia também recebeu 1 milhão de toneladas da Colômbia. Os volumes provenientes de outros países foram descritos como marginais, embora os fluxos individuais geralmente alcancem várias centenas de milhares de toneladas. O crescimento está, assim, concentrado num pequeno grupo de fornecedores estrangeiros.

O combustível importado é movimentado sobretudo por importadores independentes e intermediários, que depois o revendem no mercado polaco. De acordo com as estatísticas da Agência de Desenvolvimento Industrial citadas na notícia, as empresas de energia com centrais próprias a carvão continuam a ser os maiores consumidores do país. Essas empresas afirmam utilizar carvão comprado às minas polacas. As centrais independentes de aquecimento, maioritariamente pertencentes a governos locais, também recorrem normalmente ao carvão nacional.

Mais oferta entra num mercado segmentado

Os volumes importados adicionais não concorrem necessariamente pelos mesmos contratos que abastecem diretamente os grandes produtores de eletricidade. Ainda assim, aumentam a oferta disponível para pequenas indústrias, clientes de aquecimento e outros compradores servidos por comerciantes. Se as importações permanecerem elevadas enquanto a produção nacional cresce, os stocks podem aumentar e os compradores podem ganhar poder negocial, sobretudo nos segmentos em que o carvão importado e o polaco são substituíveis.

As perspetivas da procura continuam incertas. A Polónia enfrentou uma escassez de pellets para aquecimento durante o inverno de 2025/2026. Ao mesmo tempo, os receios sobre o abastecimento de gás e a subida dos preços da energia levaram as centrais a carvão a aumentar a geração. Estas condições sustentaram a procura de combustíveis sólidos, mas o rápido crescimento das importações levanta dúvidas sobre a absorção dos volumes adicionais caso diminuam o consumo de energia ou a geração a carvão.

Custos da mineração nacional permanecem centrais

O antigo ministro da Economia Janusz Steinhoff disse ao Gazeta Wyborcza que a Polónia gasta 10 mil milhões de zlótis por ano em subsídios às minas. Declarou que não apoia o financiamento da produção nacional de carvão a qualquer custo e argumentou que, nas atuais condições de extração, o carvão polaco não é rentável. O carvão importado não suporta os mesmos custos de produção interna.

A combinação entre maior produção mineira e um aumento de 168% das importações agrava o desafio comercial dos produtores polacos. As grandes empresas de energia e as centrais municipais de aquecimento continuam a assegurar um mercado central para o produto nacional, mas os intermediários podem oferecer carvão estrangeiro a outros clientes. Se o ritmo atual persistir, a concorrência por capacidade de armazenamento, compradores e fundo de maneio deverá intensificar-se no mercado polaco de carvão térmico.

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