Podridão do gengibre volta a Kaduna e ameaça indústria nigeriana de US$ 713 milhões
A podridão do gengibre reapareceu em Kaduna enquanto a Nigéria tenta superar o colapso produtivo de 2023. O novo surto ameaça a próxima colheita, a renda dos agricultores e a retomada das exportações.
Doença retorna ao principal estado produtor
A podridão do gengibre voltou ao estado de Kaduna enquanto a Nigéria tenta reconstruir uma indústria avaliada pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura em US$ 713 milhões, ou 962,5 bilhões de nairas. Segundo a BusinessDay, agricultores detectaram a doença fúngica em diversas áreas de governo local de Kaduna, o maior estado produtor do país. Os primeiros sinais incluem manchas escuras, folhas amareladas e murchas, plantas secas e apodrecimento dos rizomas.
Shinom Adinga, produtor da aldeia de Kurmin Dangana, na área de Kagarko, e colaborador da 360 Degree Organic Farmline Limited, afirmou que o surto afeta a comunidade desde o início de julho. Ele prevê impacto expressivo na colheita, que começa em outubro e novembro. Outro agricultor de Kagarko, Yusuf Usman, disse que os produtores estão gastando muito com produtos químicos enquanto o custo de cultivo continua aumentando.
Usman afirmou que ainda não recuperou o prejuízo de 12 milhões de nairas sofrido no surto de 2023. Neste ano, plantou apenas uma pequena área, que também foi atingida. Os agricultores pedem apoio do governo para evitar outro colapso e impedir que o fungo alcance outros estados produtores. Abdulsalam Ahmad, diretor-presidente da Tripe Gee Merchant Nigeria Limited, apontou especificamente Nasarawa e Plateau como áreas sob risco.
Produção continua longe do nível histórico
Antes do surto de 2023, a Nigéria era a maior produtora africana de gengibre e a segunda maior exportadora mundial. A cultura sustenta cerca de 500 mil pequenos agricultores e gera receita em moeda estrangeira. Outra safra gravemente prejudicada afetaria produtores, processadores e exportadores, enquanto China e Índia poderiam ampliar sua participação diante do crescimento da demanda mundial.
Dados da FAO citados pela BusinessDay mostram produção nigeriana de 751.473 toneladas em 2022. A AFEX Commodities estimou que o volume despencou para 67.600 toneladas em 2023, quando ocorreu o primeiro surto. A produção se recuperou para 159.600 toneladas em 2024, mas permaneceu muito abaixo do nível histórico superior a 700 mil toneladas.
O novo surto ocorre quando os agricultores ainda enfrentam insegurança, doenças recorrentes e custos crescentes de insumos. O gasto adicional com produtos químicos amplia a pressão financeira, sobretudo sobre pequenos produtores que perderam safras em 2023 e têm pouco capital para replantar. A dimensão das perdas dependerá da disseminação do fungo e da eficácia das medidas de controle antes do início da colheita.
Preços internos elevados limitam exportações
A receita nigeriana com exportações de gengibre caiu de 26 bilhões de nairas no quarto trimestre de 2024 para 5,3 bilhões no segundo trimestre de 2026, segundo dados do Escritório Nacional de Estatísticas citados pela BusinessDay. O país não registrou exportações em 2025 nem no primeiro trimestre de 2026. Exportadores atribuem a retração à escassez e aos custos de produção, que elevaram os preços domésticos acima das cotações internacionais.
Uma tonelada de gengibre fresco custa atualmente 5,2 milhões de nairas, equivalentes a US$ 3.851, enquanto o gengibre seco partido chega a 11,5 milhões de nairas, ou US$ 8.518, por tonelada. A BusinessDay informou que o produto seco está 184% acima do preço internacional de US$ 3 mil por tonelada. Ahmad disse que a maioria dos exportadores não retomou os embarques desde 2023, evidenciando a perda de competitividade causada pela escassez local.
O governo lançou em junho o Programa de Recuperação e Sustentabilidade da Cadeia de Valor do Gengibre. O novo surto testará se a iniciativa consegue fornecer controle sanitário, insumos acessíveis e material de plantio viável a tempo de proteger a colheita. Sem contenção eficaz, a Nigéria poderá prolongar sua ausência dos mercados de exportação e perder mais espaço entre compradores que atendia anteriormente.