PMI industrial da China supera previsão em 50,3 com exportações ligadas à IA
O PMI industrial oficial da China subiu de 50,0 para 50,3 em junho, superando a previsão de 50,1, segundo dados do Escritório Nacional de Estatística citados pelo TradingView. O crescimento concentrou-se nas exportações de alta tecnologia ligadas à IA, enquanto o varejo e o setor imobiliário seguiram fracos.
Indústria volta à expansão
A atividade fabril da China voltou ao terreno de expansão em junho, com uma pesquisa oficial mostrando que as exportações de alta tecnologia ligadas ao boom da inteligência artificial compensaram a fraca demanda interna, de acordo com dados do Escritório Nacional de Estatística citados pelo TradingView. O índice oficial de gerentes de compras da indústria subiu para 50,3 ante 50,0 em maio, superando a previsão de 50,1 de uma pesquisa da Reuters com economistas e voltando acima do patamar de 50 que separa expansão de contração.
O PMI não industrial, que capta serviços e construção, melhorou para 50,2 ante 50,1, acima do consenso de 49,9. O índice composto subiu para 50,6 ante 50,5. As três leituras superaram as expectativas.
Força concentrada nas exportações ligadas à IA
A melhora concentrou-se quase inteiramente em setores ligados à demanda tecnológica global. As exportações de equipamentos de processamento automático de dados — categoria que abrange semicondutores e componentes que alimentam data centers de IA — saltaram 60% em valor na comparação anual em maio, segundo os dados comerciais mais recentes citados pelo TradingView. Em contraste, as exportações de móveis, indicador da demanda mais ampla por bens de consumo, cresceram apenas 1,9% no mesmo período.
- PMI industrial: 50,3 em junho ante 50,0, previsão de 50,1
- PMI não industrial: 50,2 ante 50,1, consenso de 49,9
- PMI composto: 50,6 ante 50,5
- Exportações de equipamentos de processamento de dados ligados à IA: +60% na comparação anual em maio
- Exportações de móveis: +1,9% na comparação anual em maio
Demanda interna segue fraca
No lado doméstico, as condições permaneceram consideravelmente mais fracas. As vendas no varejo caíram em maio pela primeira vez em mais de três anos, e os preços de imóveis novos recuaram em ritmo mais acelerado do que nos meses anteriores, prolongando uma queda do setor imobiliário que continua a pesar sobre a riqueza e os gastos das famílias. Em resposta, o banco central da China orientou este mês alguns bancos comerciais a aumentar a concessão de crédito, segundo pessoas a par do assunto citadas pelo TradingView, o mais recente sinal de que os formuladores de políticas veem a economia de US$ 20 trilhões como insuficientemente sustentada pela demanda orgânica.
Tarifas e antecipação de embarques nublam as perspectivas
Xu Tianchen, economista sênior da Economist Intelligence Unit, autor da maior previsão individual da pesquisa da Reuters em 50,4, disse que os dados de junho mostraram sinais de nova antecipação de embarques comerciais, com exportadores acelerando envios aos Estados Unidos antes das novas tarifas da Seção 301 previstas para o fim de julho. Essa dinâmica, somada a uma antecipação anterior impulsionada por altas de preços ligadas ao Oriente Médio, parece estar perdendo força à medida que compradores estrangeiros reduzem estoques existentes à espera de clareza sobre um possível cessar-fogo regional.
O quadro deixa os fabricantes chineses cada vez mais dependentes de uma reabertura da demanda dos Estados Unidos, perspectiva que não recebeu impulso relevante de uma reunião em maio entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e o líder chinês, Xi Jinping. O encontro não produziu avanços sobre tarifas, deixando tanto a relação comercial quanto o pano de fundo geopolítico mais amplo sem solução na entrada do terceiro trimestre.