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Petróleo aproxima-se de $100 com restrições no Golfo e menor atividade das refinarias

A redução das entregas do Golfo Pérsico e do processamento global está apertando os mercados de petróleo e combustíveis, sobretudo o diesel. Dependente de importações, a Ucrânia já enfrenta preços maiores nos postos e custos crescentes para logística, agricultura e distribuição de alimentos.

Petróleo aproxima-se de $100 com restrições no Golfo e menor atividade das refinarias

Pressão sobre a oferta chega ao diesel

O mercado mundial de petróleo e combustíveis enfrenta restrições simultâneas na produção, no refino e no transporte. Segundo o KP.ua, o petróleo era negociado perto de $100 por barril, mas a maior pressão recaía sobre os derivados, principalmente o diesel. A situação difere de uma alta convencional do petróleo porque os problemas surgiram em várias etapas da cadeia de abastecimento.

Os combates no Oriente Médio restringiram o tráfego de petroleiros pelo Estreito de Ormuz. De acordo com o KP.ua, as entregas de petróleo dos países do Golfo Pérsico ficaram em cerca de 13 milhões de barris por dia em agosto, quase metade do nível anterior à guerra. As exportações de derivados e gás liquefeito de petróleo caíram quase 60%, reduzindo os volumes disponíveis aos compradores internacionais.

Menor processamento aperta oferta de destilados médios

O refino tornou-se uma segunda fonte de pressão. As refinarias globais processaram 81,4 milhões de barris por dia em agosto, 4,2 milhões a menos que um ano antes, informou o KP.ua. A escassez é especialmente visível nos destilados médios, incluindo o diesel, essencial ao transporte de carga, à agricultura, à construção e à indústria.

Os ataques ucranianos contra refinarias russas aumentaram a pressão sobre os derivados, embora seu papel no preço do petróleo continue em debate. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que os ataques causaram sérios danos à Rússia e também contribuíram para uma alta expressiva do diesel. A Rússia posteriormente restringiu as exportações de derivados, reduzindo a oferta de diesel russo no mercado mundial.

Oksana Ishchuk, diretora-executiva do Centro de Estudos Globais Strategy XXI, disse ao Espreso que os ataques não eram a principal causa da alta global do petróleo. Ela apontou os acontecimentos no Golfo Pérsico como o fator dominante e observou que a estratégia ucraniana contra as refinarias russas não mudou substancialmente em setembro, apesar das fortes oscilações dos preços. Ishchuk reconheceu um efeito sobre o diesel, mas avaliou que uma participação de 10% era relevante sem ser suficiente para determinar sozinha o preço de mercado.

Petróleo recua, mas incerteza permanece

Os preços caíram diante da expectativa de maior oferta do Golfo após a retomada de um importante oleoduto na Arábia Saudita. Em 23 de setembro, os futuros do Brent recuaram 1,1%, para $98,16 por barril, e os do WTI caíram 1,67%, para $89,01. Ambos atingiram mínimas de duas semanas, enquanto o Brent havia fechado em 22 de setembro abaixo de $100 pela primeira vez desde 8 de setembro.

A queda do petróleo não elimina imediatamente a pressão sobre os combustíveis. O menor processamento, a redução das exportações do Golfo e as limitações ao diesel russo continuam restringindo a disponibilidade. Os operadores também incorporam o risco de novas interrupções, o que pode manter o diesel caro mesmo quando as referências do petróleo recuam.

Ucrânia enfrenta aumento de custos logísticos e alimentares

A Ucrânia está especialmente exposta porque as importações atendem à maior parte da demanda por combustíveis. A gasolina e o diesel nos postos ucranianos subiram 8–10% desde o início de setembro, e o diesel aproximou-se de 100 grívnias por litro. Segundo o KP.ua, os preços batiam recordes em setembro de 2026, embora não houvesse escassez física nacional e a infraestrutura continuasse operando.

Serhiy Kuyun, diretor do Grupo de Consultoria A-95, afirmou que mais de 300 postos foram atacados nas regiões da linha de frente, mas nenhuma localidade ficou totalmente sem combustível. Ele alertou para interrupções temporárias devido aos contínuos ataques russos à infraestrutura. Aos motoristas com armazenamento seguro, recomendou reservas para duas a três semanas, cerca de 60 litros; uma pesquisa mostrou que a maioria dos condutores ucranianos consome até 100 litros por mês.

O combustível mais caro será repassado de maneira desigual aos bens e serviços. Os alimentos são particularmente sensíveis porque o combustível é usado no transporte de matérias-primas, nas máquinas agrícolas e na distribuição de produtos acabados ou refrigerados. Hortaliças, frutas, laticínios, carne e congelados estão entre as categorias expostas. As empresas podem absorver parte do aumento com suas margens ou rotas mais eficientes: se o combustível representa 10% do custo total e sobe 10%, o custo aumenta diretamente cerca de 1%.

Análise completa do mercado

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