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Petróleo, dólar e fretes redesenham o mapa do algodão na Turquia e no Egito

A alta do petróleo, um dólar firme e fretes marítimos mais caros estão mudando a escolha de origem das fiações turcas e egípcias. O Brasil responde por mais de 30% do comércio mundial e exportou em 2024 cerca de 249.000 toneladas de algodão em pluma para a Turquia, ante 106.600 toneladas da Grécia, mas a distância e o frete corroem parte dessa vantagem.

Petróleo, dólar e fretes redesenham o mapa do algodão na Turquia e no Egito

A alta do petróleo, um dólar firme e o encarecimento dos fretes marítimos estão reconfigurando o equilíbrio competitivo do comércio de algodão no Mediterrâneo oriental e mudam as condições em que as fiações da Turquia e do Egito escolhem entre a origem brasileira, a grega e outras, informa a Thessalia TV.

O petróleo atua nos dois sentidos

A alta do petróleo cria um quadro misto para o algodão. De um lado, encarece o transporte e a produção. De outro, reforça a competitividade relativa do algodão diante das fibras sintéticas, sobretudo o poliéster, diretamente ligado à cadeia petroquímica. O poliéster segue como concorrente relevante do algodão, enquanto os preços internacionais continuam determinados por níveis de produção, estoques e demanda.

A fatia do Brasil contra o custo da distância

Para as fiações da Turquia e do Egito, a conta não termina mais no preço FOB. O Brasil tornou-se o principal exportador, com mais de 30% do comércio mundial, e a Turquia recorre cada vez mais à origem brasileira por preço. Em 2024, o Brasil exportou cerca de 249.000 toneladas de algodão em pluma para a Turquia, ante 106.600 toneladas fornecidas pela Grécia.

A instabilidade geopolítica, porém, eleva o custo do transporte marítimo e apaga parte dessa vantagem brasileira. Quanto maiores a distância e o tempo de trânsito, mais pesam frete, seguro e financiamento no preço final pago pela fiação. O algodão grego tem a vantagem oposta: proximidade geográfica e entrega mais rápida.

Egito, câmbio euro-dólar e prazo de entrega

O efeito é especialmente visível no Egito. O algodão grego é atrativo para as fiações egípcias porque é competitivo em preço e pode ser entregue de imediato, o que limita custos cambiais e de financiamento. Ao mesmo tempo, o Brasil reforçou de forma expressiva sua posição no mercado egípcio.

O câmbio acrescenta outra camada. O algodão é precificado internacionalmente em dólares. Em 15 de setembro, o euro estava em 1,1539 dólares. Um dólar mais forte encarece a compra para os compradores europeus, enquanto os movimentos do real brasileiro se refletem diretamente na competitividade do Brasil.

A Índia como produtora, consumidora e compradora

O USDA projeta alta da produção indiana para 25,2 milhões de fardos em 2026/27, com aumento simultâneo do consumo das fiações indianas. A Índia funciona, assim, ao mesmo tempo como grande produtora, grande consumidora e compradora potencial, influenciando fluxos e estoques mundiais. Para o algodão em pluma grego, o obstáculo para vender à Índia, ela própria grande importadora, é a alta dos fretes após os desdobramentos no mar Vermelho e a retomada da atividade dos houthis.

Tanto para o algodão grego quanto para o brasileiro, a grandeza decisiva já não é apenas o preço da fibra em bolsa, mas o preço final posto na fiação, que combina:

  • o preço do próprio algodão;
  • a taxa de câmbio usada na liquidação;
  • o frete da rota;
  • o custo do seguro;
  • o prazo de entrega.

Nessa conta, uma origem mais barata no FOB não é automaticamente mais barata na chegada, e a ordem dos fornecedores na Turquia e no Egito pode mudar conforme o petróleo, o dólar e a segurança das rotas marítimas, e não apenas conforme a safra.

Análise completa do mercado

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