Petrobras conclui aquisição de 75% do Bloco 3 no offshore de São Tomé e Príncipe e estreia como operadora fora da América do Sul
A Petrobras concluiu em 9 de julho a aquisição de 75% do Bloco 3, área offshore de São Tomé e Príncipe, e assumiu a operação do ativo. É sua primeira operação offshore fora da América do Sul; a Oranto Petroleum mantém 15% e a agência local ANP-STP, 10%. O valor da transação não foi divulgado.
Petrobras assume 75% do Bloco 3 no offshore de São Tomé e Príncipe
A Petrobras concluiu a aquisição de 75% do Bloco 3, área exploratória offshore de São Tomé e Príncipe, e assumiu a operação do ativo na quinta-feira, 9 de julho, informou a estatal. Segundo o Valor e o InfoMoney, a operação torna a Petrobras operadora do bloco e marca sua estreia como operadora offshore fora da América do Sul.
Com a transação concluída, o consórcio passa a ser composto pela Petrobras como operadora, com 75%, pela Oranto Petroleum, com 15%, e pela Agência Nacional do Petróleo de São Tomé e Príncipe (ANP-STP), com 10%. A Petrobras assumiu a posição majoritária que estava com a Oranto Petroleum Limited, que permanece no projeto com 15%, conforme o Piranot.
Uma inflexão na estratégia africana
O movimento marca uma inflexão na estratégia internacional da companhia. Na última década, a Petrobras vendeu a maior parte de seus ativos africanos para concentrar investimentos no pré-sal brasileiro e reduzir o endividamento líquido. O Piranot informa que a companhia agora volta ao continente como operadora majoritária de uma nova fronteira exploratória. A sequência começou em 2024, quando a Petrobras retomou investimentos e parcerias na África. Em 17 de abril de 2026, assinou com a Oranto Petroleum o contrato de aquisição da participação no Bloco 3, e a transação foi concluída em 9 de julho.
A Petrobras afirmou que a operação está alinhada à estratégia de seu Plano de Negócios de recompor reservas de óleo e gás por meio da exploração de novas fronteiras, tanto no Brasil quanto no exterior. A operação africana segue um movimento doméstico em junho, quando a companhia fechou acordo por 50% de Itaimbezinho no pré-sal, reforçando o portfólio exploratório, segundo o Piranot.
Números divulgados e o que segue desconhecido
O dado central é a fatia adquirida: a Petrobras concentra 75% do bloco, contra 15% da Oranto Petroleum e 10% da agência estatal local. Essa divisão define poder operacional, exposição econômica e responsabilidade pela condução do projeto.
- O valor financeiro da aquisição não foi divulgado, o que deixa sem base pública a medição do peso da transação no caixa da companhia ou o custo por participação adquirida.
- Não foram informadas metas de volume de óleo para o Bloco 3, de modo que qualquer projeção de reserva, produção futura ou retorno financeiro fica sem lastro público.
- Não foram divulgados cronograma de perfuração, orçamento de campanha nem previsão de produção.
A Petrobras é uma companhia de capital misto listada em bolsa, e a ausência de preço também restringe a leitura dos acionistas minoritários. O que está confirmado é a mudança de estratégia: depois de desinvestir na África para reduzir dívida, a companhia volta a comprar participação e assume a operação de um ativo exploratório.
Próximos passos
A próxima etapa prática é a definição pública do plano de exploração do Bloco 3. O fato verificável é a recomposição da presença internacional da Petrobras por meio de uma participação majoritária em São Tomé e Príncipe. A escala financeira da aposta só poderá ser medida quando a companhia divulgar o valor da transação e o cronograma de investimentos no bloco.