Peste suína africana derruba produção de carne suína da República Dominicana em mais de 70%
A produção nacional de carne suína na República Dominicana caiu mais de 70% em razão da peste suína africana, segundo o presidente da Fedoporc, Miguel Ángel Olivo Rodríguez. Mais de 80% da carne suína e derivados consumidos no país é importada. A federação propõe uma recuperação baseada em granjas de alta biosseguridade, genética e organização dos pequenos produtores.
A produção nacional de carne suína na República Dominicana recuou mais de 70% em consequência da peste suína africana, enquanto mais de 80% da carne suína e de seus derivados consumidos no país é importada, afirmou Miguel Ángel Olivo Rodríguez, presidente da Federação Dominicana de Suinocultores (Fedoporc).
Olivo Rodríguez apresentou o diagnóstico em entrevista ao Palpitar Económico, quadro do programa Punto de Vista transmitido pela Color Visión, canal 9, conforme informou o La Lupa del Sur. Ele detalhou o impacto da doença sobre a suinocultura nacional e apresentou propostas para recuperar a produção de forma gradual.
De líder regional à dependência de importações
A suinocultura dominicana vinha de um crescimento expressivo antes do surto. Em 2017, o país produzia mais carne suína do que os cinco países da América Central juntos, lembrou Olivo Rodríguez. Naquele momento a República Dominicana contava com uma média de 170.000 matrizes, número superior ao dos cinco países centro-americanos somados. A América do Sul, por sua vez, reunia cerca de 300.000 fêmeas reprodutoras.
A chegada da peste suína africana alterou substancialmente esse cenário. Segundo o presidente da Fedoporc, a doença começou a afetar o país em maio de 2019 e no início de 2020, provocando a queda superior a 70% da produção nacional.
Importações cobrem a lacuna
A queda da produção nacional levou a um aumento considerável das importações para garantir o abastecimento do mercado. Olivo Rodríguez afirmou que, no ano passado, cerca de 80% da carne suína e derivados consumidos no país vinham do exterior.
A baixa produção também gera diferenças entre regiões: onde há pouca atividade suinícola, o consumo tende a ser menor. A isso somam-se os custos de transporte das principais áreas produtoras para outros pontos do território nacional.
O quadro se apresenta a menos de três meses de dezembro, período em que a demanda por carne suína tradicionalmente sobe de forma considerável, sobretudo para o preparo do tradicional lechón.
Modelo de recuperação proposto
Olivo Rodríguez propôs desenvolver a produção em zonas com menor circulação do vírus, por meio de granjas com elevados níveis de biosseguridade. A proposta prevê investimentos em instalações protegidas do ponto de vista sanitário, para criar animais em condições controladas e reduzir o risco de novos surtos.
O objetivo seria produzir leitões de alta genética que possam depois ser adquiridos por produtores nacionais para a fase de engorda. Um leitão de cerca de 70 dias, com genética e manejo adequados, pode atingir entre 30 e 32 quilogramas, explicou. Esses animais poderiam ser vendidos a preços que assegurem rentabilidade tanto às granjas especializadas quanto a quem faz a engorda.
O modelo também incorporaria os pequenos suinocultores, muitos deles atuando em comunidades rurais. A iniciativa prevê agrupar esses produtores e construir para eles galpões simples e de baixo custo, mas que cumpram as condições básicas de biosseguridade, permitindo o trabalho associativo e reduzindo os riscos econômicos e sanitários enfrentados quando uma doença atinge o rebanho. Os animais seriam engordados em condições controladas e, ao atingir o peso adequado, transferidos aos matadouros para processamento.
A proposta inclui ainda a participação das empresas processadoras de carne. Olivo Rodríguez sugeriu que essas companhias financiem componentes da produção, incluindo a aquisição dos animais e a alimentação, para depois compartilhar os benefícios do processo. O arranjo evitaria que os pequenos produtores assumissem sozinhos todo o risco econômico e facilitaria a aplicação de protocolos sanitários em caso de ocorrência da doença. Retirados os animais, as instalações poderiam passar por limpeza e desinfecção antes de reiniciar a produção, conforme os protocolos correspondentes.
Reconstruir a cadeia
Para Olivo Rodríguez, a recuperação da suinocultura dominicana precisa se apoiar em biosseguridade, genética, eficiência produtiva e organização dos produtores. Não se trata apenas de aumentar a quantidade de suínos, mas de criar um sistema capaz de produzir com eficiência e reduzir as possibilidades de propagação da peste suína africana. Um modelo com essas características, avalia, tornaria mais efetivo também o programa de controle e erradicação da doença.
O setor enfrenta o desafio de recuperar a capacidade produtiva alcançada antes da expansão da doença. Olivo Rodríguez sustentou que a recuperação deve permitir que grandes e pequenos produtores participem da cadeia produtiva, por meio de mecanismos que garantam rentabilidade e reduzam os riscos sanitários e econômicos. Fortalecer a produção nacional, disse, permitiria reduzir progressivamente a dependência das importações e ampliar a disponibilidade de carne suína produzida no país.