Exportações de arroz do Paquistão atingem recorde de 655 mil toneladas no início de 2027
O Paquistão exportou o recorde de 655 mil toneladas de arroz em julho e agosto do ano fiscal de 2027, alta anual de 20%, enquanto a receita cresceu 25%, para US$ 392 milhões. O basmati liderou a recuperação, com avanços de 43% no volume e de 53% no valor.
Arroz cresce mais que o conjunto das exportações paquistanesas
O Paquistão exportou o recorde de 655 mil toneladas de arroz nos dois primeiros meses do ano fiscal de 2027, alta de 20% em relação ao mesmo período anterior, segundo dados compilados pela Arif Habib Limited e publicados pelo Profit. A receita avançou ainda mais, 25%, para US$ 392 milhões. O resultado representa um início forte depois de um ano fiscal marcado por volumes menores, queda dos preços internacionais e retomada da concorrência indiana.
O arroz respondeu por 7,1% da receita total de exportação do Paquistão em julho e agosto, ante 6,2% um ano antes. As exportações totais do país cresceram 8%, de US$ 5,102 bilhões para US$ 5,504 bilhões. A contribuição do arroz avançou, portanto, mais que a pauta geral. O basmati passou de 2,1% para 3% das exportações nacionais, enquanto a participação dos demais tipos permaneceu em 4,1%.
Basmati registra os maiores avanços
Os embarques de basmati alcançaram 146 mil toneladas nos dois meses, 43% acima das 102 mil toneladas do ano anterior. O valor cresceu 53%, de US$ 107 milhões para US$ 164 milhões. As exportações dos demais tipos de arroz tiveram aumento mais moderado, de 15%, passando de 443 mil para 509 mil toneladas, enquanto a receita subiu 10%, de US$ 207 milhões para US$ 228 milhões. O crescimento do valor do basmati acima do volume indica desempenho comercial superior ao da categoria mais ampla.
Os dados de agosto reforçaram esse padrão. Os embarques totais cresceram 22% na comparação anual, de 252 mil para 308 mil toneladas, mas ficaram 27% abaixo das 346 mil toneladas de julho. A receita de agosto aumentou 31%, de US$ 146 milhões para US$ 192 milhões. O volume de basmati subiu 58%, para 78 mil toneladas, e a receita saltou 70%, para US$ 88 milhões. Os demais arrozes avançaram 14%, para 231 mil toneladas, com alta de 10% na receita, para US$ 104 milhões.
Recuperação sucede um ajuste difícil
A Arif Habib Limited associou a retomada à normalização após o ano fiscal de 2025, quando a volta da Índia às exportações de arroz não basmati intensificou a concorrência. A corretora avaliou que a expansão da área de arroz diante da menor rentabilidade do algodão, a maior disponibilidade de água ligada ao avanço da energia solar e a melhora das condições econômicas das propriedades provavelmente sustentaram a recuperação. Segundo o Pakistan Economic Survey citado pelo Daily Times, a produção já havia crescido 2,8%, para 9,99 milhões de toneladas, em 2025-26, apesar da redução de 3,6% na área plantada. A produtividade aumentou 6,6%, para 2.660 quilogramas por hectare.
O avanço recente veio depois de forte volatilidade no comércio paquistanês de arroz. Dados do Banco Estatal do Paquistão citados pelo Daily Times colocaram as exportações no recorde de US$ 3,9 bilhões em 2023-24, quando as restrições indianas abriram espaço adicional para fornecedores paquistaneses. O jornal também informou, com base em dados do Escritório de Estatísticas do Paquistão, que as vendas caíram para cerca de US$ 2,29 bilhões e 4,29 milhões de toneladas em 2025-26. Separadamente, um exportador que citou registros da Associação dos Exportadores de Arroz do Paquistão estimou os embarques de 2024-25 em 5,82 milhões de toneladas, no valor de US$ 3,35 bilhões, ante 6,01 milhões de toneladas e US$ 3,93 bilhões em 2023-24. O início forte de 2027 recupera o ritmo, mas a concorrência indiana e os preços internacionais continuam sendo riscos centrais para produtores, beneficiadores e exportadores.